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Frase de Raimundo Correia

Mal Secreto Se a cólera que espuma, a dor que mora N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Se se pudesse, o espírito que chora, Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja aventura única consiste Em parecer aos outros venturosa!

Raimundo Correia

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Pensador.com

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Se se pudesse o espírito que chora Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora
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Se se pudesse o espírito que chora Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse.

As Pombas Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
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As Pombas Vai-se a primeira pomba despertada... Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas De pombas, vão-se dos pombais, apenas Raia, sanguínea e fresca, a madrugada... E, à tarde, quando a rígida nortada Sopra, aos pombais, de novo, elas serenas, Ruflando as asas, sacudindo as penas, Voltam todas em bando e em revoada... Também dos corações, onde abotoam, Os sonhos, um por um, céleres voam, Como voam as pombas dos pombais: No azul da adolescência as asas soltam, Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, E eles ao coração não voltam mais.

Amor e Vida Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida, Este amor infeliz, como se fora
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Amor e Vida Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida, Este amor infeliz, como se fora Um crime aos olhos dessa, que ela adora, Dessa, que crendo-o, crera-se ofendida. A crua e rija lâmina homicida Do seu desdém vara-me o peito; embora, Que o amor que cresce nele, e nele mora, Só findará quando findar-me a vida! Ó meu amor! como num mar profundo, Achaste em mim teu álgido, teu fundo, Teu derradeiro, teu feral abrigo! E qual do rei de Tule a taça de ouro, Ó meu sacro, ó meu único tesouro! Ó meu amor! tu morrerás comigo!

Último Porto Este o país ideal que em sonhos douro; Aqui o estro das aves me arrebata,
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Último Porto Este o país ideal que em sonhos douro; Aqui o estro das aves me arrebata, E em flores, cachos e festões, desata A Natureza o virginal tesouro; Aqui, perpétuo dia ardente e louro Fulgura; e, na torrente e na cascata, A água alardeia toda a sua prata, E os laranjais e o sol todo o seu ouro... Aqui, de rosas e de luz tecida, Leve mortalha envolva estes destroços Do extinto amor, que inda me pesam tanto; E a terra, a mãe comum, no fim da vida, Para a nudeza me cobrir dos ossos, Rasgue alguns palmos do seu verde manto.