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Frase de Fernando Namora

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia pelo mundo, por todos os caminhos do mundo, desencontrados como os ponteiros de um relógio velho, que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar num jardim nocturno, ora um deserto que o simum veio modificar, ora a miragem de se estar perto do oásis, ora os pés cansados, sem forças para além. Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe o rumo e a hora de o atingir, a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado de que a tempestade não lhe abalará o palácio, a doçura de quem nada tem a regatear, o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar. Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo norte. Que ninguém me peça nada. Nada. Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia, com a minha noite que nem sempre é noite como a alma quer. Não sei caminhos de cor.

Fernando Namora

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Pensador.com

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Outras frases de Fernando Namora

É esta, não é outra, a minha crença. Raios vos partam, vós que duvidais, raios vos partam, cegos de nascença!
A vida reparte-se por ciclos, cujas fronteiras são por vezes de uma perturbadora nitidez. Parece, no entanto, ilusório que nos caiba escolher. Talvez a opção tenha sido feita desde o princípio, isto é: talvez haja uma ordem íntima que deva ser cumprida através de uma dessas manif…
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A vida reparte-se por ciclos, cujas fronteiras são por vezes de uma perturbadora nitidez. Parece, no entanto, ilusório que nos caiba escolher. Talvez a opção tenha sido feita desde o princípio, isto é: talvez haja uma ordem íntima que deva ser cumprida através de uma dessas manifestações, mesmo quando a escolhida se nos afigura incoerente.

Pilotagem E os meus olhos rasgarão a noite; E a chuva que vier ferir-me nas vidraças
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Pilotagem E os meus olhos rasgarão a noite; E a chuva que vier ferir-me nas vidraças Compreenderá, então, a sua inutilidade; E todos os sinos que alimentavam insónias hão-de repetir as horas mortas só para os ouvidos da torre; E os outros ruídos abafar-se-ão no manto negro da noite; E a mão alva que me apontava os nortes e ficou debruçada no postigo amortalhada pela neve reviverá de novo; E todas as luzes que tresnoitaram os homens apagar-se-ão; E o silêncio virá cheio de promessas que não se cansaram na viagem; E os caminhos se abrirão para os homens que seguirem de mãos dadas; E assim terão começo os sonhados dias dos meus dias!

a terra é estéril, a arca vazia, o gado minga e se fina!
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a terra é estéril, a arca vazia, o gado minga e se fina! António, é preciso partir! A enxada sem uso, o arado enferruja, o menino quere o pão; a tua casa é fria! É preciso emigrar! O vento anda como doido – levará o azeite; a chuva desaba noite e dia – inundará tudo; e o lar vazio, o gado definhando sem pasto, a morte e o frio por todo o lado, só a morte, a fome e o frio por todo o lado, António! É preciso embarcar! Badalão! Badalão! – o sino já entoa a despedida. Os juros crescem; o dinheiro e o rico não têm coração. E as décimas, António? Ninguém perdoa – que mais para vender? Foi-se o cordão, foram-se os brincos, foi-se tudo! A fome espia o teu lar. Para quê lutar com a secura da terra, com a indiferença do céu, com tudo, com a morte, com a fome, coma a terra, com tudo! Árida, árida a vida! António, é preciso partir! António partiu. E em casa, ficou tudo medonho, desamparado, vazio.