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Frase de Saulo Nascimentto

⁠Nella città II - Meu véu Todos dizem ter a verdade, como se fosse um objeto que se guarda no bolso, ou algo a ser fatiado, repartido em porções individuais: este pedaço é meu, aquele é seu. Mas a verdade... a verdade não se deixa possuir. Ela apenas é. Está lá — livre e inteira — mesmo quando ninguém a vê. Eu a sinto, às vezes, num instante que passa, incapturável pela compreensão. Ela não se deixa ressignificar. Não cabe em palavras, não se curva à vontade alheia. É. Como a luz que atravessa uma janela, mesmo quando o vidro está empoeirado. O que vejo... é sempre manchado pelo que sou. Mas o erro — o erro é pensar que a verdade é minha só porque a vi. Não é. Ela não é minha, não é tua, não é de ninguém. É só dela. Minha é a percepção. E percebo com mãos trêmulas, com olhos que mentem, com o silêncio do que ainda não entendi.

Saulo Nascimentto

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Pensador.com

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Fragmento VI - Violência simbólica Peço-te, mostra-me como ter-te em liberdade. Dou-te a boca, e não me chamas pelo nome. Tiro-te o chão, logo começas a gritar. E se teu grito é liberdade, por quem clamais? Cala o teu brado, pois não há quem desperte. Já não adianta reconhecer tais desequilíbrios. De ato para si e ficção para o outro. Tal a tirania do teu beijo e a ironia da tua face.

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⁠Fragmento I - Ankou Um vulto indistinto, entre outros vultos distantes. Não houve um tempo em que ele era, não houve sequer um instante. Os outros deixam para trás seus sonhos, desejos e deveres, seus inconstantes. Ele, porém, em seu sadismo divino, ínsito na própria penumbra, flutua, do nascimento ao desaparecimento, protegido no seio da imortalidade. Saulo Nascimentto

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⁠Fragmento II - O canto do fim Estrelas descem e atiçam a chama violeta. Cães da virulenta coletividade conduzem os que anseiam, imprudentemente, o devir dos insaciáveis. Assim, os infortúnios que favorecem os excluídos, são as bem-aventuranças da individualidade desperta. Saulo Nascimentto