Frase de Carolina Marinho
Eu não dormi — atravessei a noite armada de silêncio. Havia um mundo em colapso respirando atrás das paredes, soldados marchando dentro do tempo, e eu… com as mãos cheias de nomes que amo. Corri. Não por mim — mas por cada pedaço de mim que anda solto no mundo com o meu coração no peito. Havia códigos escondidos no ar, segredos costurados nos bastidores, e eu entendia tudo como quem carrega um mapa que ninguém mais pode ler. Mas o preço da lucidez é nunca descansar. — Te levaram. Não com gritos — mas com laços delicados, fitas de cetim preto que pareciam suaves demais para aprisionar um universo inteiro. E ainda assim… prendiam. Me ajoelhei diante do poder não por fraqueza, mas porque o amor às vezes se curva para não se partir. E então eu dancei. Dancei com o medo, com a guerra, com o absurdo de um mundo que tenta domesticar o que nasceu livre. Dancei com você. E em cada movimento desatei um nó invisível até que a liberdade coubesse de novo no seu corpo pequeno. — Meus outros amores ecoavam à distância, como estrelas que não se apagam mesmo quando o céu desaba. Eu os guiava em silêncio, em bilhetes invisíveis, ensinando-os a sobreviver sem que vissem o meu tremor. Porque mães não têm o direito de desmoronar quando o mundo pede estratégia. — Mas eu sei. Eu sei demais. Sei do que se move por trás, sei do que ninguém diz, sei do fio tênue entre proteger e desaparecer de si mesma. E talvez seja isso que me atravessa agora — essa guerra que não terminou quando abri os olhos. — Hoje, eu ainda seguro a espada mas minhas mãos tremem. E tudo que eu queria era lembrar que não preciso salvar o mundo inteiro para manter o amor vivo.
No pensador.ai desde