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Frase de Andrê Gazineu

Insulíndia O tigre, um dos animais mais ferozes e vigorosos do continente asiático, queria construir seu chateauprovençal. Já era um pouco velho. Ele encontrou um lugar bonito à beira do rio. Um cervo teve a mesma ideia, sendo um dos animais mais tímidos e fracos da floresta boreal. No dia seguinte, antes de o sol nascer, o cervo bateu na pastagem, árvores de angelim cortadas e deixadas. Depois veio o tigre, e vendo tanto material de construção já preparado, disse, "aaaiiiiiiiiiiii, Meu Deus! Alguém que me ama tem sido bom em me ajudar” e tocando o terror, começou a construir as paredes da casa. Na manhã seguinte, o cervo chegou mais cedo e pensou, “whoooa! Jesus! Construíram até o telhado.” O cervo, que era formado em arquitetura e urbanismo, dividiu-os em dois quartos, com suíte, e se estabeleceu em um deles. Quando o tigre chegou e viu a casa terminada, ele pensou que era o trabalho de um amigo desconhecido e se estabeleceram no outro quarto. Mas no dia seguinte, ao acordarem ao mesmo tempo, entenderam o que se passava. Como os animais haviam colaborado juntos, decidiram viver vizinhos – já que o tigre estava ficando velho mesmo e precisava de companhia. Por que não viver juntos em paz? O tigre resolveu preparar o jantar e abateu um jovem cervo pelo pescoço. O jovem cervo estava tremendo de medo, pôs a mesa, mas não provou o prato. Nem sequer dormiu a noite toda. Ele temia que seu companheiro feroz sentisse fome e viesse fazer uma “boquinha” à noite. No dia seguinte, era a vez do cervo procurar comida. Que faria? Ele encontrou um gigantesco tigre adormecido. Era maior do que o seu companheiro. Ele teve uma ideia. Procurou o texugo halterofilista mais nervoso da floresta e ofereceu uma grande quantidade de mel para que o texugo estrangular o pobre tigre adormecido. O jovem cervo conseguiu arrastar o enorme tigre morto para a casa. Entrou e disse, “tá aí. O menor tigre que pude encontrar”. O tigre ficou temeroso. Estava ficando velho e o tigre trazido como refeição era duas vezes maior que ele próprio. O tigre tomou Zimelidina com uma dose de conhaque Dudognon e dormiu com medo. O cervo igualmente receoso de uma provável vingança, não dormiu. Na manhã seguinte, o velho tigre apresentou um comportamento psicótico. Uma completa perda de contato com a realidade. Quanto ao cervo, acordou ainda mais medroso: uma reação sintomática ao estresse vivido naquela noite. Ao amanhecer, decidiram compreender um ao outro nas dificuldades específicas e possíveis empecilhos que estavam vivendo. Com o auxílio de esquilo vampiro de Bornéu, que também era terapeuta de casal, chegaram à conclusão que o maior consolo é o prazer e reconhecimento de sua infelicidade, o prazer de ter reconhecido que o destino e a vida são: tal como elas são e para que você chegar a uma forma superior de consciência. O tigre, cansado, disse em um rugido de tigre cansado, estou cada vez mais convencido de que a nossa felicidade ou nossa infelicidade depende muito mais sobre a nossa forma de atender aos eventos da vida do que sobre a natureza desses próprios eventos”; e devorou o cervo.

Andrê Gazineu

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Pensador.com

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Olhando pela janela, vejo o sol incidindo Derrama luz na estante, no relógio, na maçaneta Na ampla sala vazia de cor A mesa está posta Toalha branca, límpida, ingênua Pratos limpos, panos largos, pães, leite Não há ninguém à mesa Há o silêncio, o abandono, o não ser Rastros invisíveis, sombras do vácuo Tudo passa despercebido e nada é nunca lembrado É a transmutação do tempo A natureza sendo absorvida para que minha sala nunca envelheça Para que seja embriagada no meu próprio passado A pergunta involuntária sem resposta Provei à cereja ácida Provei a angústia do momento em que nasci O início, o vazio, a quitina negra do ferrão O ponto letárgico onde a alma encontra barreiras tão obscuras... E não pude seguir adiante Dissoluto no fundo da morte encontrei teu viço jovem, infantil, puro Entendi o que é a paz; essa alegria distraída de viver este sopro macio no campo Um rubor na face macilenta Um instante estúpido contigo Eu esperarei por ti na vida, na morte, na distância No delírio da febre, na tristeza do pranto nas noites frias, nas minhas pálpebras fechadas Nas águas turvas do meu sono Sufocado no escuro, enlaçado na calada Sentei-me no chão ouvindo o ruído do nada Do sangue ascórbico corroendo faminto Do coração pulsando agudo por instinto Nega-te o alimento, o sustento diário [nega-te a vida Acostuma teu nome ao sinistro obituário Roga-te a praga, converte-te em semente E da moléstia, forma-te o carpelo de um mundo inconsolável e belo, doses excessivas duma fome demente E não há mais miséria na aguardente Nem pudor nas faces coradas Os braços rasgados de cercas farpadas O grito à ânsia, o fruto à serpente