Frase de GIL M. FLEMING
É noite, fria escuridão em meu peito À frente livros em pilha nada dizem Em suas páginas palavras não há, são como telas Telas brancas aonde desenho o sorriso quente de seus olhos Perdendo-me dolorosamente na contemplação As horas voam madrugada adentro e continuo amortecido Ouço no fundo, débil, a voz da consciência Ela protesta, impõe; mas, diante da minha impassibilidade, capitula O sol desponta e nem assim sinto aquecer-me Diria a obrigação: - outra madrugada perdida Diz meu coração: - feliz estou, pois, ainda que em pensamento, de novo a tive do meu lado O telefone, mudo, insiste em não tocar Por mais que o mire, por mais que deseje, nega-me o direito de poder lhe falar Tua lembrança, como uma febre, me acompanha em tudo que faço A cada minuto, junto à batida do coração, sinto sua presença Uma dor sólida trespassa todo meu ser Sinto-a correndo nas veias, como se de mim fosse parte As vezes chego a invocá-la, como um mantra Receoso de que, sem ela, o sangue congele e a vida pare Saudades, suspiro, são tantas que não consigo quantificar Saudades de você, inteira e completa De onde vem essa necessidade premente? Este reflexo meu que em ti vejo? Não sei, não posso e não quero explicar Só preciso sentir, isto me basta.
No pensador.ai desde