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Frase de Rai1945

Velhice e solidão: o abandono de quem mais precisa de companhia Ontem, no ponto de ônibus da avenida principal, vi o seu Antônio esperando. Ele estava lá há quarenta minutos, talvez mais. Sentado no banco de concreto, com a bengala encostada na perna e o olhar fixo num ponto invisível além da rua. Ninguém se aproximava. Os ônibus passavam, cheios de gente que olhava o celular ou o relógio, e ele continuava ali, pequeno, encolhido dentro do paletó que já foi azul-marinho e hoje é um cinza desbotado. Seu Antônio tem 87 anos. Mora sozinho desde que a dona Maria se foi, há sete. Os filhos vêm “quando podem”. Um mora em Campinas, outro em Portugal, a filha mais nova tem três crianças e “mal dá conta da própria vida”. Ele entende. Repete isso como quem recita uma ladainha que já não acredita mais: “Eles têm a vida deles”. Mas no Natal passado ninguém apareceu. Ele comeu o peru que a vizinha deixou na porta e assistiu à missa do galo pela televisão, sozinho, com o volume alto para não ouvir o silêncio da casa. A gente passa por essas cenas todos os dias e finge que é normal. Um idoso falando sozinho no mercado, outro sentado no banco da praça olhando os pombos como se fossem velhos conhecidos, uma senhora que liga para o programa de rádio só para ouvir a própria voz sendo respondida por alguém. Chamamos de “envelhecimento natural”. Mas não é natural. É abandono disfarçado de destino. A velhice não é só rugas e esquecimento. É o telefone que não toca. É a cadeira vazia na mesa de jantar. É descobrir que os amigos morreram ou mudaram de cidade e ninguém avisou. É perceber, de repente, que você virou peça de museu: as pessoas olham, comentam “como ele está bem para a idade”, e seguem em frente. Você deixa de ser sujeito e vira adjetivo: “o velhinho”, “a tia”, “o senhor de bengala”. Eu já vi filho dizendo, com orgulho, que colocou o pai num “lar excelente, cinco estrelas”. O pai, lá dentro, chora toda noite porque não sabe o nome da mulher que dorme no quarto ao lado e sente falta do cheiro do café que ele mesmo fazia às seis da manhã. Mas o filho tem reunião às oito e a culpa cabe no bolso como um cartão de visitas. A solidão do idoso é a mais cruel porque é silenciosa. Criança chora alto, adulto reclama, cachorro late. Velho se cala. Aprendeu que ninguém quer ouvir sobre dor nas pernas, sobre saudade, sobre medo de morrer sozinho. Então sorri amarelo, diz que “está tudo bem” e guarda o resto. Guarda tanto que um dia explode num infarto ou numa depressão que ninguém percebeu. Na semana passada, a dona Neuza, 82 anos, morreu em casa. Foram quatro dias até o cheiro denunciar. Tinha três filhos, sete netos, bisneto a caminho. A geladeira estava cheia de comida que a vizinha levava. Mas ninguém entrava para conversar. “A gente ligava todo dia”, disseram eles no enterro. Ligava. Desligava. Seguida a vida. A velhice não pede muito. Pede presença. Um telefonema que não seja só para saber se tomou o remédio. Uma visita que não tenha hora para acabar. Um neto que tope ouvir pela milésima vez a história da enchente de 1968. Pede que a gente pare de tratar o tempo deles como algo que já passou, porque para eles ainda está passando, minuto a minuto, e cada minuto vazio dói. O seu Antônio finalmente entrou num ônibus. Levou quase cinco minutos para subir os degraus, com o motorista buzinando atrás. Ninguém ofereceu o braço. Ele se sentou no banco da frente, daqueles reservados para idosos, e ficou olhando a cidade pela janela. Eu o vi de longe, pequeno, frágil, carregando o peso de ser o último capítulo de uma história que ninguém mais quer ler. Um dia seremos nós ali. Com sorte, com saúde, com algum dinheiro no banco. Mas talvez sem ninguém que segure a nossa mão quando o corpo tremer. E aí vamos entender, tarde demais, que o maior patrimônio que a gente pode deixar para os filhos não é casa, não é poupança. É o exemplo de que filho cuida de pai como quem cuida de criança: com paciência, com presença, com amor que não se mede em minutos visitados por mês. Porque a velhice chega para todos. A solidão, não. Essa a gente escolhe dar, ou escolhe evitar. Raimundo grossi

Rai1945

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Pensador.com

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A pretenção de querer tudo A vida pode ser muito mais plena quando você não tem a pretensão de abraçar o mundo . Perceba que a felicidade pode ser alcançada com coisas bem mais simples do que as que você imagina .
crônica O bípede Se Darwin tivesse frequentado uma academia, certamente teria dito: “não foi o cérebro que nos trouxe até aqui, foram as pernas”. Porque convenhamos: o ser humano só virou gente mesmo quando resolveu largar as quatro patas e confiar tudo em dois membros inferior…
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crônica O bípede Se Darwin tivesse frequentado uma academia, certamente teria dito: “não foi o cérebro que nos trouxe até aqui, foram as pernas”. Porque convenhamos: o ser humano só virou gente mesmo quando resolveu largar as quatro patas e confiar tudo em dois membros inferiores que, até hoje, carregam o corpo, a dignidade e o supermercado inteiro morro acima. Os membros inferiores são os verdadeiros heróis anônimos da evolução. Enquanto os braços se ocupam em rolar o feed, segurar o controle remoto ou levantar um copo de café, as pernas fazem o trabalho pesado: sustentam a maior parte da massa muscular do corpo, mantêm o equilíbrio e ainda evitam que a gente abrace o chão sem querer. É por isso que, na musculação, elas exigem respeito. Agachamento não é castigo divino, é gratidão evolutiva. Especialmente nos idosos, pernas fortes são sinônimo de independência: menos quedas, mais autonomia e menos histórias começando com “eu só fui pegar um copo d’água…”. Ignorar os membros inferiores é como trocar o pneu do carro e esquecer o motor. Não adianta bíceps inflado se a perna falha na primeira calçada irregular. A verdade é dura (como o treino de pernas): fomos feitos para andar, não só para posar. Então, da próxima vez que pensar em pular o dia de pernas, lembre-se — foi graças a elas que você chegou até a academia… e não rastejando como um ancestral ressentido.

Você é como um sol que nasce Sem você, mulher, Não existem o calor e o brilho
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Você é como um sol que nasce Sem você, mulher, Não existem o calor e o brilho Que iluminam o nosso dia Quando você nos brinda com sua presença Seus olhos são duas contas preciosas Que me dão vontade de viver E transmitem amor desde o alvorecer. Seu sorriso traz felicidade contagiante A quem desfruta de sua presença cativante Com ele, você alegra nosso coração e ilumina a nossa alma. A suavidade da sua voz é como música para nossos ouvidos, Sussurrando palavras de amor e carinho E quantas são as vezes em que nos orienta para a vida. Ela é uma obra de arte Criada com amor e dedicação. Cada detalhe, cada curva, cada linha Representam a expressão da sua beleza exterior e interior Sim, ela é incrível! Quantas vezes, muitas vezes, somos apenas o complemento 6 Nos Caminhos da Poesia com Raimundo Grossi Várias vezes, sentimos que o sucesso depende dela Fortalecida pela vida e iluminada pelo amor. Sim, o sol em um dia nublado, Um refúgio seguro em um mundo incerto. Sou grato por ter uma mulher como a minha em minha vida, em nossa família. Obrigado, Cassinha, por compartilhar comigo seus sonhos e os meus desejos. Eu amo você mais do que as palavras podem expressar. Você é a minha razão de ser, a minha alma gêmea. São 51 anos de vida harmoniosa. Ainda chegaremos aos 100 anos ou aqui ou onde estivermo

Pequenos Pitacos para Ser Feliz (Volume Dois) A gente lembra de ser minimalista porque a cabeça agradece. Menos coisas, menos barulho.
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Pequenos Pitacos para Ser Feliz (Volume Dois) A gente lembra de ser minimalista porque a cabeça agradece. Menos coisas, menos barulho. Menos roupa, menos decisão. Menos acúmulo, menos chateação na cachola. Ter demais dá trabalho. Limpar, guardar, escolher, proteger. E, sem perceber, a gente fica mais preso às coisas do que à vida. O apego exagerado pesa. Pesa no armário, pesa na mente, pesa no tempo. E tempo é justamente o que falta quando se vive cercado de excessos. Ser minimalista é abrir espaço. Espaço para respirar, para sentir, para viver. É ficar só com o que faz sentido — aquilo que, de verdade, te faz feliz. O resto pode ir. Sem culpa. Sem barulho. Felicidade gosta de leveza. E a vida, quando cabe na gente, fica mais fácil de aproveitar.