Frase de André Luiz Zanata
Andarilho Ele anda descalço, sem pressa no chão, faz do passo um poema, do mundo um clarão. Nos ombros carrega o céu de setembro, e nos olhos, segredos que o tempo não lembra. Conversa com sombras, com santos, com luz diz que a cidade perdeu seu Jesus. E escolheu, sem juízo, sem rumo e sem lar, o silêncio das ruas pra se libertar. Dorme onde o dia resolve apagar, come o que a rua decide ofertar. Mas guarda uma paz que ninguém compreende, e um jeito de ver que a gente não aprende. Chamam de louco, de alma partida, mas talvez enxergue o milagre da vida: numa poça d’água, no fumo que passa, na prece calada de um banco de praça. Enquanto a cidade se arrasta, febril, correndo por metas, fugindo do fio, ele para o tempo com olhos fechados e ouve segredos nos cantos calados. Talvez compreenda o que tanto evitamos: que é no que não se compra que mais acreditamos. Que mansão sem alma é prisão de luxo, mas um banco de praça... é palácio sem muro. Louco ou livre? Que nome daria ao homem que vive em plena poesia? Que se despiu só pra renascer, e escolheu, sem medo... simplesmente viver.
No pensador.ai desde