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Frase de Desidério Murcho

Muitos pedagogos de bancada pensam que sem esforço, concentração e determinação se consegue aprender a ler e a escrever, aprender matemática e física, aprender história e sociologia, filosofia e pintura, música e nutrição. O irônico disto é que no caso do desporto já é óbvio para toda a gente que sem esforço, concentração e determinação nunca se sai da mediocridade ou, na melhor das hipóteses, da mediania. Não há ensino de excelência que despreze o esforço, a concentração e a determinação. Para aprender coisas pela rama enquanto se come bebe Coca-Cola e se responde a frivolidades no Facebook não precisamos da escola para nada; as inanidades da televisão e da Internet bastam. Qualquer método pedagógico que incida quase exclusivamente na oralidade e nos meios áudio-visuais, concebendo a leitura e a escrita como meros apêndices algo acidentais e até um pouco incômodos, terá poucas probabilidades de ser bem-sucedido. É ao escrever, e ao ler atentamente, que se vai além de meras generalidades superficiais e se ganha competências reais em biologia, literatura, física, matemática, história ou filosofia.

Desidério Murcho

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de Desidério Murcho

A filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a atividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. Por isso, não se encontra nos melhores filósofos um conjunto de instruções esotéric…
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A filosofia não é um corpo de conhecimentos que nos baste assimilar acriticamente, mas antes a atividade crítica de estudar ideias e argumentos minuciosamente, para ver se serão plausíveis ou não. Por isso, não se encontra nos melhores filósofos um conjunto de instruções esotéricas para dar sentido às nossas vidas. O que se encontra são estudos cuidadosos de diferentes ideias e argumentos sobre o problema. Isto não significa que não existam conclusões consensuais, entre os filósofos atuais, sobre o sentido da vida. Significa apenas que o trabalho filosófico é fundamentalmente a discussão minuciosa e paciente dessas conclusões e dos argumentos que as sustentam.

Uma vez mais, estamos perante uma espécie de prostituição semântica, que neste caso tem até nomes muito precisos: relativismo e multiculturalismo. Estas ideologias pretendem fazer-se passar por posições de tolerância relativamente a culturas e práticas e crenças diferentes das no…
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Uma vez mais, estamos perante uma espécie de prostituição semântica, que neste caso tem até nomes muito precisos: relativismo e multiculturalismo. Estas ideologias pretendem fazer-se passar por posições de tolerância relativamente a culturas e práticas e crenças diferentes das nossas; na verdade, no entanto, escondem uma incapacidade radical de compreender e praticar a tolerância. [...] A resposta é que não se trata verdadeiramente de tolerância, dado que eu começo por admitir que não há verdades neste domínio; logo, os outros nunca estão errados. [...] O relativismo e o multiculturalismo são sucedâneos da verdadeira tolerância quando não se tem a capacidade mental para ser verdadeiramente tolerante. A tolerância é tolerar o que consideramos errado.

Fosse a física exatamente o que é, ou a astronomia, ou a matemática, mas sem aplicações práticas que dão dinheiro e conforto, e ninguém aceitaria a autoridade dos cientistas. É a autoridade dos cientistas que faz a generalidade das pessoas aceitar ideias quase ininteligíveis de t…
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Fosse a física exatamente o que é, ou a astronomia, ou a matemática, mas sem aplicações práticas que dão dinheiro e conforto, e ninguém aceitaria a autoridade dos cientistas. É a autoridade dos cientistas que faz a generalidade das pessoas aceitar ideias quase ininteligíveis de tão complexas — sobre átomos, o Big Bang, a dinâmica de fluidos, números imaginários, etc. Mas a autoridade dos cientistas só foi conquistada por via do dinheiro e da aplicação prática, e não pela razoabilidade das teorias. [...] As teorias filosóficas têm menor grau de aceitação popular do que as científicas não por qualquer defeito epistêmico que tenham, mas por falta de poder social. Mas em ambos os casos se começa com o banal e se acaba com o contra-intuitivo e o inverosímil e o difícil de compreender.