Frase de Flávio de Ostanila
A fome nossa de cada dia Na infância, eu tinha muita fome de comida. Quando me queixava, minha mãe dizia: "Vai dormir, que passa". Não sabia eu que teria na vida muitos outros tipos de fome. Fome de dinheiro, pois no Brasil se trabalha quase seis meses para o Estado. E, sem dinheiro, padece-se de outra fome: a de respeito. Fome de justiça, pois o que se vê é político desviando recursos públicos para locupletar a si, a seus familiares e apaniguados. Fome de dignidade; visto que, sem recursos suficientes, não se pagam as dívidas nem se realizam sonhos. Fome de reconhecimento, porque só são importantes aqueles que integram determinados estratos. Fome de oportunidade: a condição financeira não é o bastante para custear cursos preparatórios, para fazer uma viagem ou para montar um negócio. Fome de pessoas, pois nada nem ninguém acontece de graça. Até mesmo fome de amor, quando a mulher amada resolve "colar" em alguém que possa lhe proporcionar mais conforto. A vida é um prato vazio. Alguns terão condições de enchê-lo; outros mal terão o prato. Aqueles vão se empanturrar de satisfação e alegria. Estes terão como abastança somente peleja e angústia.
No pensador.ai desde