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Frase de Hilda Gomes Dutra Magalhães

Refeito o texto, o texto refeito, nunca o mesmo, jamais o mesmo, lembrança remota daquele que o escuro engoliu, que a Idade Média abafou, que o ecran apagou, um grande vácuo que a presença da lembrança exige preencher. Como reconstruir a emoção que se perdeu, se, depois de esvaziada e diluida na imensa tela azul, nada mais resta do que susto, fragmento e vácuo? Se a única coisa que realmente vale a pena é esse passo pleno que vejo, tingido de todas as cores, de todas as raças, de todas as pessoas, cruzando as ruas de Montparnasse?" (O último verão em Paris, 2000)

Hilda Gomes Dutra Magalhães

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Pensador.com

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Outras frases de Hilda Gomes Dutra Magalhães

Como calcular a real importância do escritor? Valeria mais que um padeiro? Que um médico? RECEITAS DE MÃE ROSA. Não, não. O escritor e o idiota são uma coisa só. O mesmo espanto, a mesma confusão de significados." (Estranhos na noite, romance, 1988)
Método de escrever: falo de mim mesmo até quando falo dos outros. Quando fico cansado, páro. Não releio o que escrevo. Para não ter vômitos. Por não ter tempo. (...) Engulo as vírgulas como se fossem purê de batatas. A tais alturas, pouco interessa escrever bem, interessa escreve…
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Método de escrever: falo de mim mesmo até quando falo dos outros. Quando fico cansado, páro. Não releio o que escrevo. Para não ter vômitos. Por não ter tempo. (...) Engulo as vírgulas como se fossem purê de batatas. A tais alturas, pouco interessa escrever bem, interessa escrever. Depois, é muito difícil saber o que é escrever bem". (Estranhos na noite, romance, 1988)

Para o mundo, não acabamos quando morremos, mas quando morre o último dos seres humanos que fizeram parte de nossa vida, levando com eles as derradeiras ressonâncias de nossa existência. Minha tetravó índia, o seu mundo, as pessoas com quem conviveu, os conflitos, os erros e os a…
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Para o mundo, não acabamos quando morremos, mas quando morre o último dos seres humanos que fizeram parte de nossa vida, levando com eles as derradeiras ressonâncias de nossa existência. Minha tetravó índia, o seu mundo, as pessoas com quem conviveu, os conflitos, os erros e os acertos, tudo: palavras, nomes, grandes atos, mesquinharias, dúvidas, certezas, gargalhadas, o que era importante e o que não era: tudo foi engolido pelo tempo. Resta-nos um enorme espaço amarelado, onde o passado se confunde com a eternidade e o Nada, e de onde surgem, como que por encanto, nossos bisavós, seres meio míticos, meio inteligíveis, representantes de um tempo que não vivemos". (Corina, 2007)

Gritos de palavras desmoronando. Retomo a caneta, o livro. Terei cochilado novamente?! As palavras ainda despencam abismo abaixo. A frase fica sofrivelmente incompleta, o que poderia fazer para restaurá-la? Sinto uma pequena pontada no cérebro, nos rins ou no coração. Quantas pí…
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Gritos de palavras desmoronando. Retomo a caneta, o livro. Terei cochilado novamente?! As palavras ainda despencam abismo abaixo. A frase fica sofrivelmente incompleta, o que poderia fazer para restaurá-la? Sinto uma pequena pontada no cérebro, nos rins ou no coração. Quantas pílulas já terei tomado? As palavras continuam a cair no vácuo, a caneta impotente. O escritor é um árduo caçador de palavras e ideias. São caças ariscas e perigosas, ma o escritor sabe que não pode fugir a elas. É um perigo quase suicida ser escritor! Às vezes, as caças fogem pelos saltimbancos e são encontradas na Austrália ou no Pólo Norte a duzentos pesos o quilo. Ou não são encontradas nunca, vão para a Atlântida." (Estranhos na noite, romance, 1988)