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Frase de Andrê Gazineu

“Você já viu algum rio disciplinado? Rios alternam suas direções. O curso natural das águas seguem leste, seguem norte. Seu ciclo passeia sem tomar caminhos retos. Seu fluxo meneia nada parcimonioso. Não é um ente geométrico da menor distância entre dois pontos. Ele vai e não sabe para onde está largando. Tortuoso rio, vai porque vai. Vai com alento infinito rio alcança. Semelhante ao rio, a vida não é um canal arquitetado pelo homem. Rio planejado não é rio. Rio é liberdade última.” “O rio não possuí livre-arbítrio. É uma falsa liberdade que supera obstáculos.” “Tal qual a vida.” “A vida é um rio subindo a montanha.” “A vida não apresentam suficiência por si?” “Óbvio. Validação é necessária. O ouro é ouro porque brilha?” “Validar por fantasia? Cooptações sociais? Conceitos mutantes?” “Quilates mudam conforme a sociedade? Penso que não. A Conferência Geral de Pesos e Medidas não é baseada em um padrão?” “Não. É algo adotado. Passível de mutação porque a satisfação causada pela pureza do ouro pode ser mutável. “ "É presunçoso querer escolher meu caminho, porque não posso dizer qual caminho é melhor para mim. Devo deixar ao rio para que seja feita a vontade do acaso?" “Você pode fazer o que bem entender, mas não pode determinar o que determinará fazer.”

Andrê Gazineu

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Pensador.com

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Amar é conhecer desconhecendo.
Arcano O tronco tortuoso tinha casca lisa que descamava em placas finíssimas
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Arcano O tronco tortuoso tinha casca lisa que descamava em placas finíssimas Folhas delicadamente discolores formavam uma copa tímida, mas persistente Que se ornará duma frutescência única Vi flores tão solitárias florescendo em junho... No nascer do sol O cheiro da seiva vertendo no floema A umidade no ar carregado A calmaria predizendo o último dia de vida O silêncio arrebentava-se na atmosfera Irrompendo furioso no espaço conquistado Perdendo-se no lado escuro da alma vazia Demônios vestidos de sangue brincam na mata Sorrindo por uma nova estação enlevada Soprando injúrias no vento Porque é preciso morrer Porque é preciso descer ao mundo inferior pelo terceiro caminho pronunciando o nome do inominável

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Olhando pela janela, vejo o sol incidindo Derrama luz na estante, no relógio, na maçaneta Na ampla sala vazia de cor A mesa está posta Toalha branca, límpida, ingênua Pratos limpos, panos largos, pães, leite Não há ninguém à mesa Há o silêncio, o abandono, o não ser Rastros invisíveis, sombras do vácuo Tudo passa despercebido e nada é nunca lembrado É a transmutação do tempo A natureza sendo absorvida para que minha sala nunca envelheça Para que seja embriagada no meu próprio passado A pergunta involuntária sem resposta Provei à cereja ácida Provei a angústia do momento em que nasci O início, o vazio, a quitina negra do ferrão O ponto letárgico onde a alma encontra barreiras tão obscuras... E não pude seguir adiante Dissoluto no fundo da morte encontrei teu viço jovem, infantil, puro Entendi o que é a paz; essa alegria distraída de viver este sopro macio no campo Um rubor na face macilenta Um instante estúpido contigo Eu esperarei por ti na vida, na morte, na distância No delírio da febre, na tristeza do pranto nas noites frias, nas minhas pálpebras fechadas Nas águas turvas do meu sono Sufocado no escuro, enlaçado na calada Sentei-me no chão ouvindo o ruído do nada Do sangue ascórbico corroendo faminto Do coração pulsando agudo por instinto Nega-te o alimento, o sustento diário [nega-te a vida Acostuma teu nome ao sinistro obituário Roga-te a praga, converte-te em semente E da moléstia, forma-te o carpelo de um mundo inconsolável e belo, doses excessivas duma fome demente E não há mais miséria na aguardente Nem pudor nas faces coradas Os braços rasgados de cercas farpadas O grito à ânsia, o fruto à serpente