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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠Quadras aos Santos Populares - Santo António é padroeiro Da Lisboa d’encantar Mas São Pedro é o porteiro De quem no céu quiser entrar! Santo António milagreiro Que és um Santo tão Santinho Dá-me lá mais um dinheiro Qu’inda sou tão pobrezinho! Diz a boca do demónio Destas gentes da intriga Que outrora o Santo António Gostou d’uma rapariga! A ti deixo este meu canto Óh meu rico Santo António Não te esqueças deste pranto E arreda-me o demónio! Óh meu querido Santinho Vou fazer o teu altar Comer pão e beber vinho Pelas ruas a marchar! Óh meu lindo São João Dá-me moças pr’a dançar Deixo aqui meu coração A quem o quiser conquistar! São João os teus cabelos Tem ondas amarelas Envoltas em segredos Já não damos conta delas! São João dos Caracóis Procurava uma amada E mandava os rouxinóis Cantar uma toada! São João é do Estoril Santo António é de Lisboa O São Pedro é d’águas mil E o poeta é Pessoa! O são Pedro tem a chave Da porta desta festa Mas se o “homem” não a abre O Santo António já não presta! Arraial por toda a parte E sardinhas pelo pão O São Pedro que me aguarde Se estragar o São João! Se chover no São João O São Pedro está tramado Santo António sem perdão Vai deixá-lo entalado! Nesta mesa dos artistas Há gentes que se vejam, Poetas, músicos, fadistas, Tantos “santos” que nos beijam! Temos dias sem sentido Que nos deixam solidão Vai a quadra ao manjerico E a alegria ao coração! Lá vai o arco e o balão Pelas ruas sem ter mal Pois agora a solução É fazer um arraial!

Ricardo Maria Louro

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Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia
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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!