Frase de Bruno Tolentino
Ao divino assassino [...] Talvez na pressa, no pânico de Pedro, eu negue um dia e trate de escapar, mas hoje não; hoje sofro com fé e, sem poesia, metrifico uma dor sem solução, mas não vim negar nada! Faz efeito essa dor: faz sangrar, mas faz questão de defender-me como um parapeito contra a queda e a revolta. Um Botticelli despedaçou-se todo, mas que jeito, se por Lear enforcam uma Cordélia e encarceram a Ariel por Calibã...? Alvorece, a manhã beata velha enfia agulhas no Teu céu de lã, antenas às Tuas cenas de TV, e eu penso: ela morreu... Hoje, amanhã, enquanto Te aprouver e até que dê a palma do prego e o último verso à traça, vai dor – mas Amém! Não há porque amar a morte, mas que venha a Taça, aceito suar sangue até o final, como não... Tudo dói, menos a graça, mata, Senhor, que a morte não faz mal! Paray-le-Munial, 1979
No pensador.ai desde