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Frase de Bruno Tolentino

⁠Ao divino assassino [...] Talvez na pressa, no pânico de Pedro, eu negue um dia e trate de escapar, mas hoje não; hoje sofro com fé e, sem poesia, metrifico uma dor sem solução, mas não vim negar nada! Faz efeito essa dor: faz sangrar, mas faz questão de defender-me como um parapeito contra a queda e a revolta. Um Botticelli despedaçou-se todo, mas que jeito, se por Lear enforcam uma Cordélia e encarceram a Ariel por Calibã...? Alvorece, a manhã beata velha enfia agulhas no Teu céu de lã, antenas às Tuas cenas de TV, e eu penso: ela morreu... Hoje, amanhã, enquanto Te aprouver e até que dê a palma do prego e o último verso à traça, vai dor – mas Amém! Não há porque amar a morte, mas que venha a Taça, aceito suar sangue até o final, como não... Tudo dói, menos a graça, mata, Senhor, que a morte não faz mal! Paray-le-Munial, 1979

Bruno Tolentino

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Pensador.com

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Outras frases de Bruno Tolentino

⁠E a grande arte é exatamente isto: o esforço da criatura por guardar na memória aqueles momentos de epifania, nos quais ela se aproxima ao máximo do mistério da criação.
⁠Celebrar este mundo adivinhando a incurável leveza, a inabalável certeza do esplendor interminável
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⁠Celebrar este mundo adivinhando a incurável leveza, a inabalável certeza do esplendor interminável da luz de Deus, aurora ruminando para sempre a quietude do imutável. Somos reflexos dessa luz, um bando de flamingos ardendo, misturando-se ao sol nascente, ao inimaginável incêndio indescritível, todo asas, todo luz… Somos feitos como brasas abrindo o voo, somos como o voo dos flamingos em brasa ao oriente… E nunca há de apagar-se aquele ardente sol perfeito que neles se espelhou.

⁠“Eu vos compensarei pelos anos que o gafanhoto comeu…” (Joel, 2:25)
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⁠“Eu vos compensarei pelos anos que o gafanhoto comeu…” (Joel, 2:25) O Senhor prometera nos compensar os anos que a legião dos gafanhotos devorara, meu coração, mas a promessa era tão rara que achei mais natural vê-Lo mudar de planos que afinal ocupar-Se de assuntos tão mundanos. Assombra-me, portanto, ver uma luz tão clara fecundar-me as cantigas, coração meu – repara como crescem espigas entre escombros humanos… Naturalmente, quem sou eu para que Deus cumprisse em minha vida promessa tão perfeita, e no entanto ei-Lo arando, limpando os olhos meus, fazendo-os ver que, no trigal em que se deita a luz dourada e musical, se algo perdeu-se foi como o grão – entre a seara e a colheita.