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Frase de Naeno Rocha

O P R Ó B R I O Uma coisa eu desejo muito. E de sua concretização, dependem muitas coisas afins, de mim. Dotar-me da astúcia do audaz Zaqueu, uma figura malvista por muitos, um cobrador de impostos que vendo poder redimir-se de seus atos infratores, de sua mesquinhez, usou de tudo que aprendera ao longo de sua vida tacanha. E teve a idéia de subir num galho em posição estratégica, sabendo ser ali o corredor por onde passaria o Cristo, com a paciência que praticara, dando prazos e fazendo ameaças àqueles que não tinham, no momento de sua visita, a quantidade de dinheiro suficiente para recolher os impostos a que todos eram submetidos. Fazendo assim, com que Cristo, que tudo sabia e previa, por seu poder divino, se deixasse enganar, dos mesmos métodos utilizados pelo infrator. Como costumava fazer com os triturados sonhos da população da época. Permaneceu sobre a árvore, quem sabe pensando o quê, talvez da ingenuidade do próprio Deus, a quem talvez julgasse mais uma pessoa, entre tantas. E ficou, até que Deus, sob ele, vitimado de sua astúcia, ao ouvi-lo gritar por seu nome, deu a ele seus ouvidos, e deu sua sentença, por aquele rosário de mentiras. Palavras que arrependimento, juras de que sempre estivera a agir por uma obediência a um outro deus terrestre, Cezar, a quem servia cegamente, diretamente. E Cristo o ouviu como procedia com todos, aos que se mostravam arrependidos da história. Ali mesmo lhe perdoou e marcou para a sua casa um encontro, que nem todos entenderam. Eu, carregado da mesma mesquinhez, da mesma ruindade, dos mesmos infortúnios por ser um representante de mim mesmo, nunca das massas sofredoras, perseguidas, retaliadas, escoriadas, pelos novos poderosos que represento, e satisfaço os interesses, não de Deus, mas de mim mesmo, ou de quem para quem trabalho diretamente. Não presto. Me cubro das nuvens mais espessas que não conseguem tapar ou amenizar a evidência dos meus traços de um ser abominável e dispensável ao mundo. Sou por natureza um péssimo exemplo aos humanos, e de forma mais marcante e mais doída aos que convivem comigo mais diretamente. Massacro meus filhos como minhas dores inventadas, com as minhas estratégias erradas de parecer aos olhos deles um homem santo e digno das benesses de Deus, enquanto Este, por saber que falho, que sou reles, que não valho nada, e ninguém arrisca uma moeda no meu todo, não faz comigo como fez com Zaqueu, a quem deu perdão e guarida, e a salvação. Sou o que se pode chamar apenas um nome. Uma identidade perdida entre tantas que destacam e qualificam outro a quem não me igualo em nada. Sou a pedra despejada no meio do caminho de todos. O galho de espinho de uma árvore grossa caída sobre todo o vão do caminho, que impossibilita a passagem dos bem intencionados. Um estorvo na vida do mundo. Sou o que Deus deixou de lado para cuidar dos mais interessantes, dos que tem mais a oferecer a Ele, além de lamúrias e pedidos sem pé nem cabeça. Sou um desafeto da natureza, dos pássaros, das águas que nunca me permitiram chegar perto deles para, sequer admira-los no que esses têm de belo, a pura feitura do Pai. Sou para quem o restante do mundo aponta a nuca, e vira o rosto, às vezes para onde nasce um vento fétido, que poucos agüentam, ou para a vertente do sol quando este está a pino, escaldante, a um desastre ecológico. Tudo isso preferem, a mirar o meu rosto cheio de malícia e truques já conhecidos de todos. Sou o incapaz de criar minhas próprias caspas, de lavar o meu rosto cheio das marcas feitas por minhas mãos imundas. Sou o contratempo do tempo, o revés da história, talvez o causador de todos os desencontros, o cultivador das bombas mais poderosas sob meu colchão. O que ganha dinheiro de forma ilícita e, da mesma forma se desfaz, em orgias, em supérfluos, sem dá sequer uma moeda a um pobre faminto que me estende a mão nas vias da cidade, que marco por minha feiúra, pelo destoar de minha presença com os canteiros floridos, com a felicidade dos outros, contados e amparados por Deus. Mas por que Deus me fez assim, tão sem sentido, tão descompleto, tão desonesto, tão nefasto, tão infecto. Porque perdeu seu tempo tão precioso criando algo inservível. Algo dispensável, que não ocupa lugar, que não senta, não dorme, não fala, não pensa, faz, que seja o mal? Porque Deus na sua querência a todos foi abominar quem mais precisa dele, e não se esforça em distinguir o meu todo ruim de um todo bom e quem, sabe, o aproveitamento de mais uma alma não faça o esforço de também a mim recuperar, a mim aproveitar. Qual a diferença que existe além das inúmeras que carrego comigo, como estigma, como breu grudado em ave arquejante, se Ele vê todos iguais. E com todos laçou o compromisso de resgatar em sua bondade. Por que o Deus, Pai, tão amoroso e compassivo, iria me largar, único, num vale sem vale, num oco sem fundo, sendo para Ele muito mais fácil dizer uma palavra e eu ser salvo com a minha alma.

Naeno Rocha

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Pensador.com

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NAQUELE ONTEM Um dia Dos dias da minha infância
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NAQUELE ONTEM Um dia Dos dias da minha infância Eu desmontei a fechadura do quarto de meus pais. Naquela noite, já de noite, Eles dormiram de costas um para o outro Naquela noite não houve a luta Não teve coberto nem cobertor Ninguém fatigou-se Porque a fechadura desmontada Estava comigo, na minha rede. Uma noite, Nessa noite eu não dormi Contando, por minhas mãos no escuro Pelo contato dentro de minha rede O quanto eu encontrei Da máquina daquela fechadura desmontada E contava: Um revólver Uma mola propulsora Que esparzia longe a pinguela O pino que ficava no meio Uma carrapeta que dançava Uma chave que passava solta No buraco dela entrar De qualquer distância, para o alvo. Eu me armei até os dentes! E planejava a guerra já para a manhã, mais cedo Contra os calangos, os preás, os galos do terreiro A pessoa do meu amigo, Os pássaros que me avocavam do alto Das frondes cheias.

Eu quero ter uma mulher Uma só, que me entretenha em seu olhar Que me adoeça em vê-la
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Eu quero ter uma mulher Uma só, que me entretenha em seu olhar Que me adoeça em vê-la Por seus carinhos quando estou assim Das minhas tristezas escolhas O tanto que pode me ajudar Dividindo tempo, amor, sem contá-lo. Sendo no seu cuidados a falar por mim Fazendo o trabalho em ouvir amigos Que venham nos visitar E servi-los café a esses que se citam meus irmãos Que cheguem em nossa casa. Uns por Deus, outros pelo café com bolo. Eu quero uma mulher Com quem eu possa de gestos baixinhos Pensar nas bondosas partes de cada dia E nos sugerirmos planos, Mesmo aquele que malogrem ainda no preparar.. E sempre sabendo que é Deus, por tudo A quem confiamos tudo nosso. Eu quero uma mulher Que me dê na boca beijos saborosos Que cuide como um pastor no ensinos De comer e beber do seu leite Todos ainda necessitando dos afagos dessa mulher. Quero uma mulher que me ame Como eu venha a amá-la Que quando tropeçar em algo solto no assoalho Que caia dentro dos meus braços. Quero uma mulher para minha outra vida E que ela seja em tudo igual a ti Mas não vos apressais Jesus Cristo Eu ainda tenho a minha Desses jeitos iguais aos que Vos falei. Eu estou findando um poema e quero Que quem o leia, decida por Vos pedir É só no caso apenas no caso em que Vós decida E na de outros, e que estes Tenham o prazer de usufruir desta mulher precisa. Pois todas as mulheres têm o olhar angelical Pode ser que não seja uma santa E ser uma mesa posta Que grite na hora que almoço tiver na mesa

NOSSAS PARTES IGUAIS O teu olhar previne o levado da procela E adianta o tempo bom e serenando
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NOSSAS PARTES IGUAIS O teu olhar previne o levado da procela E adianta o tempo bom e serenando Flamejando, os teus olhos são duas velas As duas como uma consagração ao santo amado. Teu coração tem um batimento que é do meu E o meu no imprevisto faz de papel o teu Idealizo o que falta desta, que ainda não se deu Se já nos nossos abraços e velos beijos meus. O teu colo é o lugar mais quente e plumoso Que ao meu descanso depois das aventuras De amor e sonho, quando o gesto é faltoso Me chama teu coração, do meu delicioso. O meu olhar são duas paredes limpas ao brilho Que ao meu não faz, não se permite assim Ser só o que reflete da tua luz, fogo do dia Da minha face larga, uma tela de linho. Abre todas as portas e que dá para toda entrada E que se propaguem na minha alma o que já houve O teu cantar que é pra Deus, tão delicado Abrange a tua boca e em tudo a minha cala. Meus olhos não te dão abrigo Não, não, eu quero os teus E assim não me davas, assim não farias Por ti, por mim, teus olhos são meus. Estes remédios, dessas partes tuas O teu olhar que na noite brilha de se encantar. O teu colo que amortece a mim da luta Não que tenha vencido, nem que tenha lutado. O teu beijo de todos os gostos que já provei Tem um dele que nem fruta lá de longe Me arremete ao céu parecido com o céu E de ter o teu corpo e me aliviei Bem no meio de mim, sândalo marrom.

TRINDADE Meu Deus, se Vos ofendi foi por não saber Que o mundo e todas as suas quantidades
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TRINDADE Meu Deus, se Vos ofendi foi por não saber Que o mundo e todas as suas quantidades Foi tudo criado por suas mãos profícuas E sem saber que o Verbo era a citação Do homem, vosso Filho Purificado, amor que vim a saber No tempo em que me permitistes vê-lo. Esse homem é a razão de tudo Até dos sacrifícios que fiz sem notar. Ele e eu agora temos uma intimidade santa Afeição do tempo da morte Do filho amado e merecedor do amor dEle. Por todas as estações de quedas o tropeços Não sabia que me sagrando por Ele O aceitando dividindo comigo O amor que dividiria com todos igualmente No meu rosto comum, até aí. Me soltei dos comandos de mim mesmo E implorar que de Vós tudo caminhasse. Meu Deus foi necessário punir alguns Para saber que o perdão é que é a gesto Beijá-lo será a negativa da distância. Citá-Lo em seus pedidos, em tudo a nós É a única ação verdadeira, igualmente depois de tudo. Pai, a quem eu careço depressa chamar de Pai? A Vós, o mentor dividido, pelas entradas do céu. A ELE, canonizador, descobridor dos puros. Em suas locas, no jejum de pão e água. Mas não paira dúvidas agora em meu juízo É o Próprio Deus, o próprio Pai, que ao Mesmo Filho Provedor de nossas vidas. Me resta falar com glória! Orar o Vosso perdão.