Frase de Miriam Da Costa
26 De Julho - Dia da Orixá Nanã 💜 Sou de Nanã 💜 Sou filha de Nanã da lama sagrada nasci com o tempo nos olhos e o silêncio das águas profundas a me embalar o destino... Carrego no ventre a memória dos ancestrais o segredo dos pântanos o eco dos trovões distantes e a ternura que cura... Sou lenta como o rio que pensa e densa como a neblina que cobre a dor... Meu passo é velho é sabedoria é colo de avó que acolhe e espírito que não se apressa... Sou filha de Nanã deusa da criação e do fim teço com fios invisíveis o ciclo eterno da vida onde tudo começa e tudo retorna... Sou filha de Nanã, e em mim dança o barro da origem a substância da existência antes mesmo do verbo ser soprado... Minh’alma tem cheiro de chuva antiga meus olhos vêem para além da carne meu silêncio pesa como bênção e minhas palavras brotam devagar como cura... Sou o portal entre mundos o lodo que nutre a raiz o tempo que gira em espiral a avó que embala o futuro no colo do passado... Trago a paciência dos búzios a firmeza do cajado de osso e a compaixão que renasce do que apodrece pois tudo até a dor tem sua flor na lama... Sou filha de Nanã e caminho com passos de eternidade sabendo que cada morte é apenas um outro nome para recomeço... Sou filha de Nanã e minha pele carrega o pó das estrelas misturado ao húmus da terra Sou feita de ontem sou feita de sempre sou feita do que não morre... Na palma da minha mão repousam mistérios antigos o sopro do mundo quando ainda era ventre o primeiro choro do que viria a ser gente... Falo com os ventos que cruzam os manguezais ouço a saudade do tempo no coaxar das rãs e entendo os silêncios como quem lê oráculos... Sou filha de Nanã e ando entre os vivos com os pés de quem sabe o caminho dos mortos... Mas não temo carrego em mim a luz lilás que me guia mesmo na escuridão... Tenho em meu peito o tambor do mundo e no meu olhar o reflexo do espelho onde o tempo se penteia... Sou filha de Nanã e meu corpo é altar de calma cada ruga que um dia terei já vive em mim como promessa cada perda já me prepara para a colheita mais profunda... Sou quem recolhe o que caiu quem vela o que se parte quem canta para embalar o fim que anuncia o recomeço... Meus braços foram feitos para envolver tormentas meus olhos para enxergar o que não cabe na luz do dia... Sou a noite que consola o luto que ensina a transformação que silencia... Na beira do pântano planto segredos com fé e mesmo sem pressa sei que tudo germina sob o olhar de Nanã... Sou filha da lama da vida espessa e viscosa que molda o espírito em paciência e quando danço, a terra respira mais devagar... Sou filha de Nanã e em cada passo que dou carrego a força mansa de quem sabe que a eternidade não se alcança correndo se cultiva... Sou filha de Nanã, e meu destino não se escreve com pressa ele se desenha no fundo das águas paradas onde moram os reflexos do que já foi e do que será... Carrego no peito a memória do mundo submerso onde palavras não alcançam onde apenas a alma entende. Sou barro moldado com reza sou sopro de tempo soprado com fé... Minha fala é murmúrio de quem conhece o silêncio minha força é de raiz que se agarra ao invisível... Sou filha de Nanã e por isso não temo a morte ela é só outra veste outra dança outra travessia... trago no meu ventre a semente do renascimento e nos meus cabelos o orvalho do tempo antigo... não me iludo com brilhos fáceis prefiro o brilho fosco das verdades profundas... Sou filha de Nanã, e toda vez que o mundo se cala eu escuto toda vez que o mundo corre eu paro toda vez que tudo parece acabar eu recomeço... Saluba Nanã!!! 💜 ✍©️ @MiriamDaCosta
No pensador.ai desde