Frase de Raphael Bragagnolle
Não me recordo como é amar Não me recordo como é amar, A doce vertigem de se entregar, Embriagado por algo tão puro, Tão intenso… difícil de acalmar, tão duro. O amor talvez nasça da paixão, E paixões tive — confesso — um turbilhão. Mas se meu peito não fosse tão raso, Talvez durassem além do acaso. Luta que a gente escolhe viver, Pois amar é a razão de crescer. É chama que molda o espírito aflito, É fogo que purifica o infinito. Mas ninguém fala da dor da saudade, Quando o amor ainda arde em verdade. Só comentam quando tudo esfria, Quando resta silêncio onde havia poesia. Entre todos os amores que o tempo levou, Hoje entendo: só uma vez meu peito amou. E foi justamente a ela, em meu erro profundo, Que causei o maior mal deste mundo. Hoje sofro, agonizo calado, Carrego o peso de um amor passado. Mas precisei deixá-la partir, Pois amar também é saber abrir. Sua felicidade era grande demais Para caber nos meus braços frágeis e mortais. Beleza que ofuscava o pôr do sol, Aurora viva, meu farol. Hoje ela segue, encontrou seu caminho, E eu sigo em oração, sozinho. Clamando aos céus, com fé e primaveras, Que ela encontre o que não dei — em outras eras. E se um dia o amor me visitar, Que eu saiba, enfim, permanecer e cuidar. Sem medo, sem fuga, sem dor, Aprendendo que amar… também é ser melhor.
No pensador.ai desde