Frase de Evan do carmo
Queime-me Queime-me, porque sou pó, e ao pó devo voltar, mas escolho o fogo, o calor que consome, não como morte, mas como transformação. Queime essa matéria que me veste, esse corpo que habitou a alma, que pulsou em cada verso, em cada nota, em cada instante de festa vivido como se amanhã nunca viesse. Porque amanhã, talvez, não estarei. E tudo que fui, que amei, será cinza ao vento, um sopro que fertiliza o infinito. Queime-me, pois o que é eterno já vive nas palavras que ergui, nas obras que de mim nasceram, abstratas, físicas, eternas. Queime essa matéria, mas não a memória, não a alma secreta que me habitou. Pois enquanto há quem ame, quem viva, quem cante, sou mais do que cinza— sou fogo que arde no coração do mundo.
No pensador.ai desde