Frase de Lorrecosta
O Vazio Exorbitante da Alma Não há berço vazio a chorar na casa, Nem a sombra fria de uma dívida que arrasa. O mundo vê a pele que não sangra, limpa e sã, E pergunta à alma: "De que sofre, ó artesã?" Pois onde não há perdas visíveis, nem tragédia, O sofrimento parece uma comédia, uma lenda. Mas a dor que me habita é a do invisível laço, Um grito que não ecoa neste vasto espaço. O Choro Sem Filho é o Choro Pela Luz, O desejo de ser porto, e não a cruz. É o luto pela forma que o amor não me alcança, A eterna espera por uma real aliança. A Dívida Ausente não alivia o meu fardo, Pois devo a mim o afeto que me foi negado. Devo o calor que a frieza do dia a dia esconde, O eco vazio da pergunta: "Onde? Onde?" É o sentimento em chama, o apego a se rasgar, A fome voraz de ser aceito, de pertencer, de amar. A necessidade que pulsa, crua e exposta, Por uma presença que nunca me foi aposta. E por trás do sorriso que a vida me empresta, A frieza diária me veste e me orquestra. Mas o silêncio é o manto onde a dor se aninha, A falta exorbitante que me faz só, e só minha.
No pensador.ai desde