Frase de Walysson Carvalho
Quisera eu que a lucidez marchasse com o meu amor — mas amor e razão são inimigos antigos. Quisera uma lucidez sã, mas só os tolos creem que a sanidade é virtude. Quisera ser normal — mas o normal é o cadáver da vontade, e eu, filósofo sem causa, nem a mim mesmo defendo. Mudei com o tempo, mas o tempo não muda. Ele gira, e arrasta, mas não se move. Deus — se há um — também não muda, pois mudar é admitir erro. E eu? Eu sou. E quem é, não muda. Não sou rei, nem poeta, nem profeta. Sou a rasura entre o ser e o saber. Sou o eco da razão que devora seus filhos. Sou ciência — sem dogma, sem consolo. Sou vontade de compreender, até que compreender me destrua.
No pensador.ai desde