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Frase de tadeumemoria

algum dia me falaram em lucidez insana, em insensatez sensata, nunca entendi, jamais entenderia; eu colhia pétalas de estrelas que caiam no terreno baldio na frente da minha casa, a boca roxa de jamelões ou a língua azeda de tamarindo que as safras me proporcionavam além da cerca de arame farpado; eu ainda não tinha sonhos, eu tinha a leveza das pipas e o mistério dos piões e percebia o calor e as matizes da manhã, extasiado com esses milagres sem perceber os seus efeitos, mas para isso eu tinha os amendoins torrados ou confeitados, tangerinas nas portas das quitandas como um adorno mágico e perfumoso aos dias da minha adolescência. Não se fazia projeto para a felicidade; a felicidade estava nos sorrisos e nos olhares, nas canções românticas que cantavam o amor nas radiadoras das periferias, que alimentavam os sonhos e a necessidade de sonhar; então eu sorria fácil perdido nas divagações da minha mente, leve e encantado com as cores dos balões e o rebuliço aconchegante das feiras livres do meu bairro; sua gente de olhares meigos e risos fáceis nas manhãs luminosas que clareavam os dias da minha adolescência e acalantavam os sonhos da minha vida

tadeumemoria

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Pensador.com

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...