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Frase de Antero de Quental

Idílio Quando nós vamos ambos, de mãos dadas, Colher nos vales lírios e boninas, E galgamos dum fôlego as colinas Dos rocios da noite inda orvalhadas; Ou, vendo o mar, das ermas cumeadas, Contemplamos as nuvens vespertinas, Que parecem fantásticas ruínas Ao longo, no horizonte, amontoadas; Quantas vezes, de súbito, emudeces! Não sei que luz no teu olhar flutua; Sinto tremer-te a mão e empalideces O vento e o mar murmuram orações, E a poesia das coisas se insinua Lenta e amorosa em nossos corações.

Antero de Quental

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Pensador.com | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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Meus dias vão correndo vagarosos, Sem prazer e sem dor parece Que o foco interior já desfalece E vacila com raios duvidosos. É bela a vida e os anos são formosos, E nunca ao peito amante o amor falece... Mas, se a beleza aqui nos aparece, Logo outra lembra de mais puros gozos. A outros céus aspira: Se um momento a prendeu mortal beleza, É pela eterna pátria que suspira... Porém, do pressentir dá-ma a certeza, Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira, Eu sempre bendirei esta tristeza!

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Ideal Aquela que eu adoro não é feita de lírios nem de rosas purpurinas, não tem as formas lânguidas, divinas, da antiga Vênus de cintura estreita. Não é a Circe, cuja mão suspeita compõe filtros mortais entre ruínas, nem a Amazona, que se agarra às crinas dum corcel e combate satisfeita. A mim mesmo pergunto, e não atino com o nome que dê a essa visão que ora amostra ora esconde o meu destino. É como uma miragem que entrevejo Ideal, que nasceu na solidão, Nuvem, sonho impalpável do Desejo...