Frase de Carlos Drummond de Andrade
Evocação À sombra da usina, teu jardim Era mínimo, sem flores. Plantas nasciam, renasciam para não serem olhadas. Meros projetos de existência, desligavam-se de sol e água, mesmo daquela secreção que em teus olhos se represava. Ninguém te viu quando, curvada, removias o caracol da via estreita das formigas, nem sequer se ouviu teu chamado. Pois chamaste (já era tarde) e a voz da usina amorteceu tua fuga para o sem-país e o sem tempo. Mas te recordo e te alcanço viva, menina, a planejar tão cedo o jardim onde estás, eu sei, clausurada, sem que ninguém, ninguém te adivinhe.
No pensador.ai desde