Frase de Karoline Nogueira
Floricultura Mais cachorros que pessoas passando na calçada, bicicletas, o som das jovens vozes no ginásio da outra quadra. A orquídea que perfuma tudo pra chamar atenção, o vento, a brisa calma: vão fazer falta no verão. Da porta vejo escadas, no alto, janelas refletoras de sonhos... Uma promoção, um suco gelado, uma vontade de falar com alguém. O telefone toca, uma voz amiga do outro lado do mundo - Que vontade de chorar. Queria ser pássaro, pássaro não, vento: pra chegar mais rápido. Vou conhecendo a pequena floricultura com a chegada do sol, com a promessa da primavera - Piso num chão de sombras de folhas douradas... Tudo na cidadezinha é devagar, o tempo, o homem, o olhar, o sorriso. Quando se pensa em sorrir, a vida já deu dois passos, e uma parte de mim nunca olha pra trás. Vendo flores, vasos, sonhos, uns sorrisos, surpresas, amores e contentamento. O quase perfume de criar um jardim entre quatro paredes de concreto. Nada num jardim é concreto, nada permanece, mesmo as esculturas de pedra. Esse é um desses negócios que além da beleza e do prazer vende renovação, nutrição, recomeço... Algumas recomendações, o desejo que vinga, o cuidado de um novo alguém, um novo lar, e se ninguém cuidar? As tardes de conversa jogada fora com insetos e folhas... Entre podas drásticas ou carinhosas, percebo que preciso de espaço. Um escritório debaixo do pé de caju, quem sabe? Alguns metros quadrados a mais pra cultivar as flores de vento, borboletas! O caminho não é mais o mesmo, ainda tem um campo de girassóis antes de chegar em casa, ainda tem o mar, a vila, mas é o barquinho azul, parado na lembrança que ensina a olhar pro que se quer mesmo quando não se quer nada. Os dias de sol trazem coragem, os de céu branco ditam o ritmo da espera. Vou pintar o vento no tronco de uma árvore...
No pensador.ai desde