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Frase de Mike Malakkias

Nem azul nem rosa. Lilás talvez, transparente. Quem sabe? Nem quente nem frio. Ameno talvez, morno. Quem sabe? Nem cheio nem vazio. Meio copo de nada. Quem sabe? Nem aqui nem lá. Perdido no caminho. Quem sabe? Nem medo nem coragem. Inútil na Terra. Quem sabe? Não sabe, não vê, não sente, não age, não crê. Alguém há de saber, mas não se importa. Ignorou.

Mike Malakkias

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Pensador.com

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Outras frases de Mike Malakkias

Quanto tempo falta para ontem terminar? Quantos instantes bastam para o amanhã não chegar? Quais ciências o vão calcular, quantos poetas o vão declamar?
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Quanto tempo falta para ontem terminar? Quantos instantes bastam para o amanhã não chegar? Quais ciências o vão calcular, quantos poetas o vão declamar? Quem além de mim vai se culpar pelo que deixei de fazer? O tempo vai passando de vagar ou se quer passa. Passa. Ainda ontem, hoje era distante, agora esvai-se ligeiro. Semblantes que ganharam rugas, mãos tremulas e memória fraca. Passado, presente, futuro, fusão, esquecimento. Reflexões. O relógio, parece exato, mas gira seus ponteiros irregular. Contei o tempo e perdi a hora, escondi os dias, não compareci. Agora que morri, o tempo deixou de existir, é só o agora, apenas o agora. Percebi tarde demais para voltar atrás e tentar refazer o mau que permiti. Embarquei na estação que me levou à luz no fim do túnel. Quase perdi a partida do trem, mais uma vez me atrasei. Da janela do meu vagão vejo outros que repetem o que fiz. Pobres mortais perdendo o precioso tempo que ainda lhes tem.

AMBROZIO, REI DOS QUILOMBOS DO RIO GRANDE Pés descalços que levantam a poeira na estrada de chão batido Vaga sem rumo no poente da terra seca pelo serrado da solidão
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AMBROZIO, REI DOS QUILOMBOS DO RIO GRANDE Pés descalços que levantam a poeira na estrada de chão batido Vaga sem rumo no poente da terra seca pelo serrado da solidão Fugiu das chibatas do cativeiro em busca de nova estadia Quilombola tentará na fugidia rota do capital do mato que o perseguia Derrama pelo caminho o sangue de sua raça agrilhoada na senzala Seus pés descalços, suas costas riscadas, suas mãos rachadas Seu coração chora pelos que deixou abandonados na clausura Preferiu o risco da morte ao jugo da servidão a que fora obrigado Seu ímpeto de liberdade era maior que a tirania de seu dono Vagou por léguas sentindo fome, frio, medo, mas tomou cuidado Nas noites estreladas se entregava aos sonhos em leve sono Nas manhas seus olhos radiavam a esperança de encontrar socorro Mas este não vindo, criou ele mesmo o abrigo que a outros oferecia Nas margens do Rio Grande ergueu seu reino africano de solidariedade Fugiu, deixou saudade irremediáveis, mas abrigou milhares em seu congado A liberdade, ainda que tardia, não alcançou o seu terreiro protetor A maldade dos brancos o alcançou, e em poucos dias seu reinado dizimou Jaz na memória esquecida dos que vieram depois dele, virou lenda Sofreu uma vida de crueldades, e hoje, retribui com amor o mau que o matou.

No olhar de quem se esconde é que se pode ver a cegueira do mundo. Campos, florestas, montanhas ou oceanos, tudo ficou preso lá fora. Ali dentro restou apenas o sofrimento da prisão auto imposta.
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No olhar de quem se esconde é que se pode ver a cegueira do mundo. Campos, florestas, montanhas ou oceanos, tudo ficou preso lá fora. Ali dentro restou apenas o sofrimento da prisão auto imposta. Nem o vento que sopra livre pelos vales é sentido. Ao negar-se, fechou a cela jogando a chave fora, sofre, e calado chora.