Frase de Mike Malakkias
AMBROZIO, REI DOS QUILOMBOS DO RIO GRANDE Pés descalços que levantam a poeira na estrada de chão batido Vaga sem rumo no poente da terra seca pelo serrado da solidão Fugiu das chibatas do cativeiro em busca de nova estadia Quilombola tentará na fugidia rota do capital do mato que o perseguia Derrama pelo caminho o sangue de sua raça agrilhoada na senzala Seus pés descalços, suas costas riscadas, suas mãos rachadas Seu coração chora pelos que deixou abandonados na clausura Preferiu o risco da morte ao jugo da servidão a que fora obrigado Seu ímpeto de liberdade era maior que a tirania de seu dono Vagou por léguas sentindo fome, frio, medo, mas tomou cuidado Nas noites estreladas se entregava aos sonhos em leve sono Nas manhas seus olhos radiavam a esperança de encontrar socorro Mas este não vindo, criou ele mesmo o abrigo que a outros oferecia Nas margens do Rio Grande ergueu seu reino africano de solidariedade Fugiu, deixou saudade irremediáveis, mas abrigou milhares em seu congado A liberdade, ainda que tardia, não alcançou o seu terreiro protetor A maldade dos brancos o alcançou, e em poucos dias seu reinado dizimou Jaz na memória esquecida dos que vieram depois dele, virou lenda Sofreu uma vida de crueldades, e hoje, retribui com amor o mau que o matou.
No pensador.ai desde