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Frase de Gabriel Luiz maroli

Uma última xícara de café.... Não fique acordada por muito tempo, a noite é um poço sem fim, Não vá para a cama, onde a sombra te espera com um beijo ruim. Eu vou preparar uma xícara de café para a sua cabeça cansada, Mas não é do grão da terra, é do pó da minha alma gelada. Isso vai te levantar, mas não para o dia que vem, Vai te tirar da cama, para o nada onde eu também ​É, eu não quero pegar no sono, a névoa me quer levar, Eu não quero falecer, mas sinto o cheiro do lar. Eu andei pensando no nosso futuro, nos dias que nunca virão, Em como eu seria seu noivo, seu marido, seu primeiro chão. Eu não sei por que isso aconteceu, mas talvez o pecado me ache, Talvez a minha vida curta seja o preço que o diabo me rache. ​Eu tentei dar o meu melhor, você sabe que eu não sou perfeito, Mas as orações foram em vão, o mal já está no meu peito. Eu tenho rezado por perdão, você tem rezado pela minha saúde, Mas a minha alma está me deixando, antes que eu mude. Quando eu deixar este mundo, quando o meu último suspiro for, Espero que você encontre outra pessoa, alguém que não tenha o meu cheiro de dor. ​Porque sim, ainda somos jovens, há tanto que não fizemos, Casar, começar uma família, os filhos que nós nunca teremos. Eu queria que pudesse ser eu, mas a minha cama já está fria, E o tempo está acabando, a minha luz já não irradia. Espero ir para o céu para te ver mais uma vez, Mas o meu caminho é escuro, e a minha esperança já fez. ​Minha vida foi curta, mas teve tantas bênçãos que eu perdi, Feliz por você ter sido minha, mas a vida me traiu, eu sei que sim. Não fique acordada por muito tempo, não vá para a cama, por favor, A saudade está chegando, e ela tem o sabor do meu amor. O café na xícara está frio, como a minha pele que já morreu, E o seu aroma é a única coisa que você tem do que foi eu. ​Estou feliz que você esteja aqui comigo, mas me desculpe se eu chorar muito, De quando eu e meus amigos bebíamos cerveja no ensino médio, o nosso primeiro insulto. Espere, na verdade, acho que te conheci em uma festa, você estava tão sozinha, No canto, usando as mãos para cobrir seu corpo, uma flor que já não tinha. Foi assustador, eu estava nervoso, mas que bom que me aproximei, E agora que estou partindo, é a saudade que eu te deixei. ​Estávamos rindo de nada, agora que sou mais velho, estou muito mais frio, E o tempo está passando, o meu corpo já está vazio. É a nossa loja favorita, fico feliz por ter te comprado uma flor, Mas ela já está murchando, como o meu amor, como a minha dor. Espero que você encontre um homem que não seja tão velho quanto eu, Que possa olhar nos seus olhos e dizer que o futuro é seu. ​Sinto muito por ter tido que deixar você e este mundo, Mas você era tudo o que eu sempre quis, o meu amor profundo. Vou sentir sua falta, e a saudade vai te consumir, Em cada gole de café, em cada cama que você for dormir.

Gabriel Luiz maroli

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Pensador.com

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⁠À Senhora da Última Viagem Morte, de tantos nomes e em tantos versos, Escrevo-te hoje, sem medos ou reversos.
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⁠À Senhora da Última Viagem Morte, de tantos nomes e em tantos versos, Escrevo-te hoje, sem medos ou reversos. Não como um lamento, nem com dor a chorar, Mas com a curiosidade de quem quer desvendar. Vens sem aviso, ou com sinais que ignoramos, Levando de nós os elos que tanto amamos. Em teu silêncio, resides a grande incerteza, Do que há depois, da eterna beleza. Muitos te temem, a ti, o inevitável fim, A fronteira que corta a vida de mim. Mas vejo em ti também um grande alívio, O ponto final para o sofrer e o calvário. Tu não distingues idade, riqueza ou poder, Com tua foice justa, vens para colher. És a igualdade que a vida não oferece, A paz derradeira que o corpo envelhece. Ensina-nos, Morte, a valorizar cada instante, A amar sem reservas, com um amor radiante. Pois ao sabermos que tua visita virá, Damos mais valor ao tempo que nos resta. E quando chegares, com teu véu a planar, Espero encontrar a calma para te abraçar. Que em teus braços, a alma possa repousar, E o que foi vivido, eternamente brilhar. Com respeito e, sim, um pouco de fascínio, Um Ser Humano em seu caminho.

⁠. A beleza da morte morte A Morte sempre soube seu papel, Chegava para todos, um final cruel.
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⁠. A beleza da morte morte A Morte sempre soube seu papel, Chegava para todos, um final cruel. Mas nunca parou para sentir o ar, Até que a Vida, radiante, a fez sonhar. Nos olhos da Vida, um brilho sem igual, Tão magnífica, um amor sem par. A Morte tentou, mas não pôde tocar, Decidiu então, apenas acompanhar. A cada passo, um novo encanto, A Morte fascinada, em doce espanto. Como a Vida era bela, sem disfarce, Crueldade seria não se entregar a esse enlace. Foi ali que a Morte se apaixonou, Pela Vida, um amor que a transformou. O mais puro que podia existir, Vindo de algo sombrio, a Morte a sorrir. Mas o dia chegou, o inevitável, A Morte relutou, um nó apertado. A Vida, sábia, compreendeu a dor, Era o momento de cumprir o amor. Num abraço final, o destino selado, Nascemos sabendo o fim, predestinado. Mesmo que doa, temos que aceitar, Que aqueles que amamos, precisam partir, e nos deixar.

Alguns dias parecem pesados ⁠Em dias assim, de chumbo e calmaria tensa, O mundo grita em cores que a alma não pensa.
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Alguns dias parecem pesados ⁠Em dias assim, de chumbo e calmaria tensa, O mundo grita em cores que a alma não pensa. O coração, outrora canção leve e solta, Bate exausto, na engrenagem que nos volta. O peso interno, fardo invisível e constante, Não se revela em números, mas em instante De respiração curta, em nó na garganta, Em sombra alongada que a alegria espanta. Esmaga lento, como a gota que fura a pedra, Cada suspiro um passo em direção à treva. A força se esvai, a vontade se dobra, Sob o jugo silente que a alma absorve. Mas lembre-se, em meio à pressão que aperta, Que a noite mais densa precede a alvorada liberta. Ainda há espaço para um respiro profundo, Para encontrar em si um novo mundo.

Lembranças ⁠Em Timbó, onde o sol beija a colina, Há sombras longas, de estranha sina.
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Lembranças ⁠Em Timbó, onde o sol beija a colina, Há sombras longas, de estranha sina. Certos homens, fantasmas na memória, Seus feitos ecoam, sem ter mais história. Nunca morreram, em lendas suspensas, Seus nomes sussurram, em bocas tensas. Heróis de outrora, em bronze eternizados, Mas seus corações, jamais foram amados. Viveram de glória, de feitos marcantes, Em livros de história, figuras gigantes. Porém, a doçura de um toque suave, O calor de um lar, a alegria que move, Jamais sentiram, presos à missão, Às frias armaduras da ambição. Seus olhos não viram a flor que desabrocha, Nem a simples beleza que a vida nos troca. Assim, pairam sempre, em nosso pensar, Modelos distantes, sem poder tocar. Certos homens nunca morrem, é verdade, Mas em sua eterna fama, falta a humanidade. E há outros, vagando em meio à multidão, Com almas silentes, sem ter direção. Nunca viveram, pois medo os consome, A ousadia dorme, o instante não some. Passam os dias, sem deixar um traço, Seus sonhos murcham, num lento fracasso. A voz embargada, o passo incerto, A vida se esvai, num deserto aberto. Não provam o vinho, nem sentem o abraço, Seu mundo é pequeno, um eterno compasso De rotinas vazias, de olhares fugazes, Prisioneiros de si, em tristes miragens. Então, a balança da vida nos mostra, Que a imortalidade, às vezes, é a nossa Maior solidão, um fardo pesado, Se o viver de verdade, nos foi negado. Pois de que vale a lembrança perpétua, Se a jornada terrena foi sempre incompleta? Melhor a vida breve, sentida e vivida, Que a eterna existência, fria e esquecida.