Frase de Liko Lisboa
Água Preta O rio da minha infância liko Lisboa No velho água preta Subia e descia canoa, Era a coisa mais bonita Água quebrando na proa, Homem rio fauna e flora Conviviam numa boa. No rio da minha infância Pesquei traíra e beré, As antas e capivaras Corriam de jacaré, Passarim batia asas Com medo de caburé. Meu anzol de linha longa Ia onde não dava pés, Era no poço dos anjos Entre os verdes aguapés, Que morava o temido O maior dos jacarés. No rio das estripulias Numa tarde eu vi Bita, Fugindo dos soldados Rumo a Manoel Batista, Um salto mortal da ponte Num mergulho sumiu Bita. Guilermina e o água preta O água preta e Guilermina, Confundem a minha cabeça Mas depois tudo germina, O que fizeram com o rio Fizeram com Guilermina. Mas que pecado cometeu Pra receber tal castigo, Quando era um rio bonito Tinha o povo como amigo, Hoje velho e decrépito É sinônimo de perigo. O velho água preta Era de utilidade pública, Servia todos e a cidade Como isso hoje explica No seu leito perecendo E ninguém vê a sua súplica. O meu rio de contos De belezas naturais, Era o mais bonito De todos mananciais, Hoje agonizando Em coliformes fecais. O rio água preta Velho triste e doente, Mesmo morrendo a míngua Ainda serve humildemente, Carregando dia e noite O lixo de nossa gente. O novo quando chega O que tá vira passado, É preciso evoluir Mas que fique explicado, Rio é como provérbio Nunca fica ultrapassado. Liko Lisboa.
No pensador.ai desde