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Frase de Odair Rizzo - poeta e escritor de Catanduva - SP.

CONFESSANDO-ME A DEUS Senhor, Eu sei que Você sabe dos fatos, das coisas, Muito, muito além do que possa ser imaginado, Mas, como a população aumenta E sua área de ronda é tão extensa, Talvez, nem todas as minhas transgressões doidas Estejam inclusas no volumoso Diário dos Pecados. Por isso, eu me abro, me desembaralho. Dedico-Lhe, ao menos, essa migalha, Esperando que a recompensa quebre o galho De rabiscar parte dos meus excessos e das falhas. Aqui, eu transformei a crença em comédia. Da comédia, fiz o humor virar antipatia E consenti que ela me atasse as rédeas, Para que eu também puxasse a carga da desvalia. Aqui, eu recusei fumar o cachimbo da paz. Arremessei o amor e a compreensão num labirinto E enquanto seus adeptos julgavam-No tão capaz Eu fazia de Você, algo falido e extinto. Senhor... Eu paro, penso, repenso. Aprofundo-me no confessionário das revelações E pergunto a mim mesmo: Como pude desligá-Lo do pensamento, Se esse é um descrédito que me põe a esmo E gera a pior das conclusões?! Aqui, eu mantive distância dos pobres, Considerando-os o retrato vivo da imundície, Só porque eu tinha alguns níqueis, alguns cobres, Obtidos através de minha costumeira vigarice. Aqui, eu fui racista até no luto da viúva negra. Trafiquei tóxicos ao invés de distribuir pães E senti nojo ao me sentar à mesa, Para comer no prato, Anteriormente usado pela minha mãe. Aqui, eu achei que prece Era assunto preá moleque. Que procissão era o desfile da ilusão. Que a Santa Missa Era só para tirar o padre da preguiça, Entretanto, hoje, Ele, espiritualmente, é um gigante E eu menor, bem menor, que um anão. E agora, Senhor? E agora? Para onde eu iria, Se daqui a pouco eu fosse embora? O que eu faria, Se o Expresso do Diabo passasse e me levasse, Tal como faz a carrocinha Ao recolher os cães vadios Ou se Você chegasse e me mostrasse O asfalto do SEU CAMINHO E as valetas do meu desvio? Mas, quem sabe ainda haja tempo. Tempo para desistir dessas besteiras. Tempo para adentrar no rumo certo. Tempo para varre toda a sujeira, Depois de se ouvir o aviso, O recado formulado pela consciência arrependida: ?-Adiante, vou tê-Lo junto, por perto, Nem que essa seja a última coisa, Que eu tenha a fazer na vida!?

Odair Rizzo - poeta e escritor de Catanduva - SP.

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O SANTO RETRATO À minha frente, Na parede do meu quarto,
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O SANTO RETRATO À minha frente, Na parede do meu quarto, Um crucifixo dependurado. Faz tempo! Muito tempo... Numa tremenda data passada, Que me disseram tê-lo colocado ali, Tão visível, perceptível, No entanto, eu ? indiferente ? Sempre me omiti; Só agora vi que nem o tinha notado. Crucificado! Jesus preso à cruz, Com os braços abertos, SEM NUNCA tê-los cruzados. Jesus em meu quarto, Há tanto tempo, Mas, em mim, aqui comigo...? Ah! Apenas Lhe dei a oportunidade De estar em meus aposentos, Pouco me importando Com os tantos ferimentos Que Lhe foram aplicados. As cruéis perfurações da grande maldade, Os cortes dos profundos machucados. Jesus crucificado! A sacra figura, o santificado retrato. A imagem do grande sofrimento DAQUELE que só falou do bem Em seus maravilhosos ensinamentos. O sangue, a expressão da dor, Os pregos pontiagudos. A coroa toda feita de espinhos E eu, a cada dia, Reclamando em demasia, Somente pelo dissabor De ter que encarar os fatos, Que se sucedem pelo caminho. Por ter que suplantar Miúdas barreiras, diminutos degraus, Pequenos obstáculos. Jesus que eu esqueci! Que o descaso fez com que Eu tanto O deixasse de lado! Não acatei as suas inigualáveis vantagens. Não estive ?nem aí? ? e daí? - com Você E com suas pregações, suas mensagens. Com as divinas palavras, Que se fazem presentes. Que vão sendo apregoadas Há mais de vinte séculos, Por todos aqueles que sempre Olham-te de frente e continuamente se salvam. Jesus, consciente, eu admito! Não fui além de ter-me entregue À insignificância, ao nada praticamente; Permanecendo estático, inerte, distante, Sem saldar tantas dívidas de meus tamanhos débitos. Por isso, abro-Lhe agora, Ainda robusto, forte, vivo, As portas desse meu coração desamparado Que não soube estimar O quanto Você era e é Indispensável, necessário, preciso. Contudo, mesmo assim, Talvez, só isso seja insuficiente, Pois, quando eu tocar os vitrais do céu, Pode ser que se ouça alguém dizer: ?Contente-se em ir a outro local - Lá bem diferente, quente e tumultuado -. Ao mal que você fez por merecer. Não há como permiti-lo entrar, Visto que seu nome não consta, aqui relacionado!?