Frase de Odair Rizzo - poeta e escritor de Catanduva - SP.
O SANTO RETRATO À minha frente, Na parede do meu quarto, Um crucifixo dependurado. Faz tempo! Muito tempo... Numa tremenda data passada, Que me disseram tê-lo colocado ali, Tão visível, perceptível, No entanto, eu ? indiferente ? Sempre me omiti; Só agora vi que nem o tinha notado. Crucificado! Jesus preso à cruz, Com os braços abertos, SEM NUNCA tê-los cruzados. Jesus em meu quarto, Há tanto tempo, Mas, em mim, aqui comigo...? Ah! Apenas Lhe dei a oportunidade De estar em meus aposentos, Pouco me importando Com os tantos ferimentos Que Lhe foram aplicados. As cruéis perfurações da grande maldade, Os cortes dos profundos machucados. Jesus crucificado! A sacra figura, o santificado retrato. A imagem do grande sofrimento DAQUELE que só falou do bem Em seus maravilhosos ensinamentos. O sangue, a expressão da dor, Os pregos pontiagudos. A coroa toda feita de espinhos E eu, a cada dia, Reclamando em demasia, Somente pelo dissabor De ter que encarar os fatos, Que se sucedem pelo caminho. Por ter que suplantar Miúdas barreiras, diminutos degraus, Pequenos obstáculos. Jesus que eu esqueci! Que o descaso fez com que Eu tanto O deixasse de lado! Não acatei as suas inigualáveis vantagens. Não estive ?nem aí? ? e daí? - com Você E com suas pregações, suas mensagens. Com as divinas palavras, Que se fazem presentes. Que vão sendo apregoadas Há mais de vinte séculos, Por todos aqueles que sempre Olham-te de frente e continuamente se salvam. Jesus, consciente, eu admito! Não fui além de ter-me entregue À insignificância, ao nada praticamente; Permanecendo estático, inerte, distante, Sem saldar tantas dívidas de meus tamanhos débitos. Por isso, abro-Lhe agora, Ainda robusto, forte, vivo, As portas desse meu coração desamparado Que não soube estimar O quanto Você era e é Indispensável, necessário, preciso. Contudo, mesmo assim, Talvez, só isso seja insuficiente, Pois, quando eu tocar os vitrais do céu, Pode ser que se ouça alguém dizer: ?Contente-se em ir a outro local - Lá bem diferente, quente e tumultuado -. Ao mal que você fez por merecer. Não há como permiti-lo entrar, Visto que seu nome não consta, aqui relacionado!?
Odair Rizzo - poeta e escritor de Catanduva - SP.
No pensador.ai desde