Frase de Bernardo Almeida
O veneno da saudade Perdoei a ti sem que me pedisses Porque não consigo guardá-la como um espinho em meu bolso E se digo que suporto a dor que me causaste É porque de ti, apenas a presença bastaria Sento e rememoro os encontros às escondidas Das manhãs às tardes, e, das noites às madrugadas Como éramos imaturamente descuidados e felizes No entanto, jamais fomos pegos em flagrante Eis a invejável sorte dos ardorosos amantes Minhas mãos sutilmente vacilantes em seu corpo Suas pernas a cambalear a cada toque Minha voz a embargar após atender aos seus pedidos mais carnais Éramos um espasmo lunar O que seria de mim sem aqueles saudosos dias Em que o fulgor do amor, ainda jovial, falava mais alto? O que seria do vento não fossem seus cabelos para bagunçar E o seu perfume a espalhar e distribuir graça ao mundo? Portanto digo, com carinho: perdôo-te sem que me peças Porque de ti, quero apenas guardar a ternura e a beleza Dos momentos brevemente eternos que dividimos um dia Bernardo Almeida (Livro Crimes Noturnos)
No pensador.ai desde