Frase de Antonio Montes
TRUPE DE VENTO Um trupe de vento passou por aqui vindo, não sei de onde, Indo... Sei lá e não sei se esconde ... Sem asas sem bonde, Sem respeitar saia de moça nem charuto de conde. Esse vento, ouriçou placa... Bandeira, roupa no varal! Provocou... Carreira em potro, tombo de bêbado e voar de pombos. Levantou pipas da molecada poeira das estradas e atiçou... Atiço areia sobre as águas. Aquele trupe de vento que passou por aqui .... Vindo não sei de onde... Fazendo corrupio no cisco, alegrando, cardumes de piabas dos rios... Pássaros no estio, farfalhou as folhas disparou as hélices eólicas espatifou o bocado da farinha antes da boca ouriçou os cabelos da velha louca e badalou os sinos das igrejas. Aquele trupe de ventos que passou por aqui... Passou trazendo águas e nuvens levando as chuvas alegrou, melou os olhos Destampou as rolhas, farfalhou as folhas... Aquele vento que passou por aqui, abrindo porta e fechando janelas... Serpenteou por todas vielas! Urrando que nem lobo... Rangendo que nem dentes esturrou, como se fosse um leão. Aquele vento que passou por aqui chiou venenoso, que nem serpente desfez, procissões e saravas jogou cisco na cuia do almoço no momento de cear... Despedaçou exame de abelhas desmanchou rasto de ratos, destrambelhou, voar de pato provocou e oscilou as ondas do mar. O bando de pássaro se foi com ele voltou por causa dele as borboletas ficaram alem dele aquele vento, levou as velas da canoa e o canoeiro, perdeu o dia de chegar. Antonio Montes
No pensador.ai desde