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Frase de tadeumemoria

AUSÊNCIA Prismas diferentes dão tonalidades diferentes às verdades da vida. Ás vezes sob o cajueiro centenário, que se espalha no fundo do quintal, fico a observar o firmamento; acho que é uma forma romântica de preencher ausências; é um ângulo que de certa forma me protege de mim mesmo. Cada estrela dessas é uma ausência e sob o cajueiro eu sou um prisma perdido que seus galhos camuflam, e a angústia de ser só é de alguma forma sacudida; e os meteoros que viajam cambiantes eu chamo de estrelas cadentes e faço um desejo. O cajueiro já me conhece, e conhece todos os meus desejos; conheceu a minha primeira namorada e seus gemidos; bem perto de sua raiz enterrei demônios: cajuzinhos em oferenda para o Deus das estrelas; acreditava que assim as namoradas voltavam; mas no meio da noite sempre tinha pesadelos com seus galhos me apertando; acordava de madrugada, corria pra janela e observava o cajueiro sacudido pelo vento litoral; parecia comemorar alguma coisa; talvez a minha ausência, até que de trás de seu tronco iam surgndo as namoradas, que leves como algodão, eram carregadas pelo vento ou arremessadas pelos seus galhos em direção a abóboda celeste. Cada estrela dessas é uma ausência, mas o cajueiro floresce com a neblina primaveril numa promessa fiel e infalível de frutificar e acolher agruras e angústias de qualquer ausência.

tadeumemoria

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Pensador.com

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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...