Frase de Antonio Montes
AÇOITE NEGREIRO Nasce a índia nasce a negra jogam o laço e as cobiças, atiça ... E a cima da pele morena na rua com sua noite escura nasce a cura do capeta. Pé de morro, pé de plano, Socorro! grito no cume da vida, é estorvo sem alforria p'ra inocente, doutor só para mim que sou negro, sou autor... Vou pagar... Vou pagar com minha dor. E a lama? Foi pra mim o que sobrou dos gritos abafados de uma noite censura enclausurada do horror o goro o show... O mal do olho, flecha no peito expressão do senhor O som amargo, que a vida amargou. Minha barra me barra na barraca e roda nas águas, que morro derribou minha esperança, feita de velha lata... se amassa e enferrujam amassadas na calada, da noite calada. Minha garrafa sem vinho, teve cartas... Bilhete de pedido, socorro, salvação fiz oração sob escuro de um porão lúridos, escondidos dos tinidos e dos ouvidos, do meu terrível irmão. Já fui negro no negreiro sem amor tive esposa, tive filho meu senhor! Que as águas e o vento me levou sobrou para mim, esperança iludida e o mourão, açoitando a minha dor. Antonio Montes
No pensador.ai desde