Frase de Ricardo Maria Louro
O Leque Rendilhado da Infância - Recordo um tempo que passou da minha infância tão longínqua! Quando vivia acompanhado mas tão só ... E alembro o olhar doce de meu Avô sobre o rosto de minha Avó! Mas minha Alma fica amargurada ao sabe-lo morto, tão distante, e minha Avó, ao vê-la, tão velhinha, em ultima jornada! Que lúgubres caminhos! Que solidões ardentes! Vendaval de lívidos horrores onde nem as orações já salvam os seus crentes! Que triste sonho o meu! Vejo-me sozinho! Sem ninguém que me conforte! Nas tristes ilusões do meu caminho só já pressinto as lágrimas da morte! Que triste sorte!!! Os anos vão passando ... E essa branca Senhora, serena, minha Avó, que sempre vi atrás de mim chorando, no decorrer da minha curta Vida, vai a cada dia, a Deus, sua Alma entregando ... Recordo o leque preto, rendilhado, que nas suas alvas mãos, tão delicadas, lhe refrescava o colo, na Igreja! Com ele, tapava as lágrimas choradas, nas longas Orações, rezadas, tão sentidas, que fazia à Senhora da Orada ... Era branca, minha Avó, como as esculturas dos mármores Cristãos! E em suas pálidas mãos, tinha o leque preto, rendilhado, sempre refrescando o Coração ... Ai aquele leque! O leque preto da Avó! O leque rendilhado da infância! Que ao recordar me deixa menos só!
No pensador.ai desde