Pular para o conteúdo

Frase de Luverly Menezes

O poema que ainda não fiz é perto, é longe, é dentro, é fora. É aquilo de oiro do sol, aquilo de sonâmbulo luar. É pertencimento de regaço a conflitar suas águias de alados. O poema que ainda não fiz esbarra em sombras para rasgar fulgências. É ilha e deserto a dizer desse jeito assim visceral e fatal sobre aprender e sentir VIVER. Na pretensão de fazer-se verbo, o poema que ainda não fiz, convulsiona verdades doutros para fazê -las, por fim e por começo, minhas. Quiçá, possa eu tê-las, quiçá assim possa eu, sê- las. O poema que ainda não fiz, desarruma certezas, desajeita quietudes, desassossega silêncios, realinha olhares. Maldição consentida que conversa comigo num diálogo estranho, descalço, portanto, íntimo. Desses estranhos que salgueiam, que braseiam, ternuram, adoçam os tudos e os nada em nós. O único acontecer capaz de fazer conhecida, fazer liberta uma mesma alma para muitas vidas. O poema que ainda não fiz, é tecitura das vontades e dos quereres pagãos. É confluir sagrado e profano no inalienável e incorruptível dever SER. Vê como monge em clausura o já tido, sente como entranha cigana o ainda não sido. A licença é para partir. Partir sob ânsia selvagem, alheia ao morno, alheia ao raso, alheia ao atalho, alheia à metades. O poema que ainda não fiz rabisca versões outras de mim, a mãos leves ou carrascas que sejam, sem interrogar porquês, sem censurar soturnos, sem pretender conclusões, sem avultar finitudes. O poema que ainda não fiz, arrasta madrugadas para amanhecer encontros a baloiçar inícios. E quão híbrido de sentires é esse encontro. O poema que ainda não fiz, gargalha gostoso pedaços sonetos da vida. Descansa no papel todos os êxtases de sentir. O poema que ainda não fiz, confia ao mar um girassol de tarde outonal forjado entre sede e fonte como lenda e feitiço de amar a pretender fazer daquele mar, habitar querente de seus tão íntimos e imortais badulaques de amor. No poema que ainda não fiz, existo e subsisto num alto e largo apelo por SER. Tudo o que fascina e por algum descuido acumina, habita teus verbos. Por crença, por rendição por confessa paixão, dou- te em poesia telúrica, vida. Vida já desde o útero, prometida ao divino e inexorável impudor do INTENSO.

Luverly Menezes

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Luverly Menezes

Uma pessoa se esclarece quando imputada pela vida a tomar decisões que não a favorece. Inexpugnavelmente seu ser grita. Gosto de pensar que não fugir de uma escolha é desenhar-se para o mundo com cores fulgentes,agressivas à palidez da inércia que disfarça e macula.
Minhas Esquinas Pelas esquinas por onde passo deixo um tanto de mim. Um tanto do que inevitavelmente fui. Um tanto do que, de abraços com a ilusão, quis ser. O que fica no linear paralelo de um novo caminho é o que neste hoje sou. Um “sou” mais rico em surpresas, mais empobrecid…
Continuar lendo

Minhas Esquinas Pelas esquinas por onde passo deixo um tanto de mim. Um tanto do que inevitavelmente fui. Um tanto do que, de abraços com a ilusão, quis ser. O que fica no linear paralelo de um novo caminho é o que neste hoje sou. Um “sou” mais rico em surpresas, mais empobrecido em limites. A cada encontro com as ferrugens pálidas de um tempo, refaço-me poderosa em perceber-me. Tropeço clandestinamente em meu próprio retrato e como um sono embrutecido pelos soluços do caos atiro-me voluntariamente num denso cair, infame aos outros, íntimo de mim. Tento desenhar em cada letra uma queda que nos limites extremos de um perder-se, escurece e macula qualquer projeção que seja de encontro com a fortaleza que faz saltar em voltas e cambalhotas dos gritos cercantes de mim ao claro súbito de um novo nada. Nessa viagem sem atalhos, a heresia do medo se impõe majestade. E no erguer-se de cada queda, refaço-me na incompletude e na imprecisão de um recomeço. Recomeços tímidos e disformes que, de concreto, só me antecipa a consciência de que o “permitir-me” fraca me distancia em tempo e em intensidade do inevitável “tornar-me” forte. Dos saltos e dos encontros ainda por vir, nada tenho revelado. Toda luz é inconfessa e inebriada se o olhar não se ergue o bastante para alcançá-la. O mais incrível desse ciclo de emendas e rupturas sempre implacável ao desnudar-me em avessos é que depende de mim o jeito e o tempo de fechá-lo, jamais a decisão de abri-lo. Nem sempre, fazemos escolhas. Uma nova esquina se mostra quando, um tanto grande de nós, já é parte dela. Por muito tempo, acreditei serem vida e escolhas, o contrário disso. Se, é verdade que escolhemos caminhos, deve ser verdade que cada novo caminho é também o nascer de uma morte da qual sobrevivem os que mais pensaram e menos choraram e desse nascer sem a primazia do tornar-se vida, só conhecemos o inumano que o forjou.

VERDADE MÁGICA Meu primeiro texto, maio de 1996. Abrigar-se num mundo definido por pessoas
Continuar lendo

VERDADE MÁGICA Meu primeiro texto, maio de 1996. Abrigar-se num mundo definido por pessoas cenários e sentimentos Que só a emoção traz como presente. Ao redor de uma vida, muitas buscas e um só sentido Além dela, uma tal felicidade se mostra radiante. Se existe um mundo perfeito É lá onde tudo acontece O encanto jamais se quebra Por que a magia não é frágil O afeto se afirma como majestade das expressões E o amor, como limite de uma alma sempre serena Lá, a vida aponta sempre os melhores caminhos Àqueles com arco-íris e pote de ouro no final Nada foge a certos detalhes e a grandes momentos É como abrir um livro no melhor da história E de repente se sentir parte dela Nesse mundo, os olhos admiram tudo que vêem E o coração ama tudo o que sente Querer encontrar algo ou alguém que faça diferença É se achar num ciclo de pensamentos suaves e sonhos perfeitos Que buscam sempre felicidade com final de história É subir no telhado e buscar o que já não é mais Possível aos olhos alcançarem através da janela Fazer parte de um mundo assim É se encantar por estrelas que podem ser vistas e até amadas Mas só quando se tenta tocá-las É que se percebe o quanto estão distantes São todas estrelas cadentes entre estrelas comuns Raras, rápidas e especiais Cada uma com um jeito único de brilhar Mas se a realidade pura e simples teima Em não perdoar quem tenta negá-la Agarrando-se a sonhos e sentimentos É só pensar que pode E a tão banalizada ilusão chega como a única Capaz de preencher espaços e suavizar lembranças Aqui, acredita-se numa verdade mágica A de que na vida de todo mundo existe um anjo Pra fazer a gente viver, sentir e acreditar No que não vê.