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Frase de Luis Mateus

Flores Uma Gardénia sincera pintei, inocentemente de branca! Flor que a todos enleva, qual Florbela que me Espanca! Fita-me depois uma Margarida pequenina e inocente, Ali e acolá, às escondidas da Gardénia e de toda a gente... Uma Gerbera baloiça alegre e sem saber de nada É engolida por uma voraz Papoila encantada! Bela flor, a Irmã do Nenúfar em água mergulhado! Plantei juntas, estas duas irmãs do meu agrado! Violeta e Alfazema no meu jardim vieram encontrar Uma Rosa que queria, num poema ser plantada! Mas nenhuma das três a viu acabada. A poesia! Foi de dia, que uma Flor de Laranjeira me deu Uma honra nua, que na minha lembrança e na sua Para sempre ficará! Flores perfeitas, onde as há? Talvez na Índia ache Orquídeas Rainhas! Alguém as quer suas, mas eu quero-as minhas! Veste o Jacinto tatuado, um “Sari” encarnado... Raro vinho tinto que não passou do noivado! Um postal me deixaram, em jeito de recado... Um Lírio sedutor e uma Flor de Lis que me calha... Jogado à minha sorte, bebo no campo de batalha Tudo o que há pra pecar: suor, luxúria e pecado! A Coroa Imperial. Do alto da sua sedutora luz e poder, Rompe a rombos de machado o porte régio do meu ser! Fico amansado! Mas a Acácia amarela depois me seduz! Creio ter espinhos e dor! E tem! Creio ser uma cruz! Se Deus há no Céu… Ele finalmente me prendou... Cravo branco, amor ardente, mãe de todas as ofertas, Inexplicável flor, porque todas as outras desconcertas? Jasmins e Gladíolos com pétalas a esvoaçar, Prímulas e Cactos que me querem dar a mão! Antes partir que vergar, a flores que não o são! Mas que raio... Uma flor, numa Flor de Lótus sentada está! É o que esperava? Será? Por minha culpa, não! Antes espinhos virão! Sai da minha sombra Petúnia! Procura a tua luz! Sal, azedume e dolo, não são o que me seduz! Cravo Amarelo, cantas bem mas não me contentas! Cheirei as cores da tua alma e eram todas cinzentas! O Açafrão e a Azálea Branca das querelas e traições, Dos saltos pelas janelas e dos arfares dos pulmões São como a Rosa Lilás! Não me dizem nada! A professora Camélia, de grandes pétalas e atraente, Não se deixou regar! Não era pró meu fino dente! Aconteceu assim este fado… Talvez o meu jardim não estivesse bem regado! Adelfas e Magnólias me aquecem como as aqueço, De dia, vestem-se às direitas, de noite do avesso! Pergunto porém À Tulipa Amarela, que sonhos tens acordados? Malas comigo feitas ou desfeitas aos bocados? Giesta, flor que dá calor ao espinho que colhi… Fiel livro que li! Flor que não partiu. Floriu! Sorri a Dálias, Cardos e Flores do Campo Antes de perguntar: Malmequer ou bem-me-quer, o que queres semear? Regar tais flores é como ter navio e não ter mar! Às Begónias colhidas, que me foram dadas, Angústias e uma flor dei, às flores rejeitadas… Morreram todas... ⁠

Luis Mateus

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Pensador.com

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⁠Amo-te assim! Amo-te assim, como o fogo ama arder E arremessar calor e luz do seu ninho;
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⁠Amo-te assim! Amo-te assim, como o fogo ama arder E arremessar calor e luz do seu ninho; Quero assim como ele, amar-te e morrer Contigo e assim arder devagarinho. Amo-te assim meu amor, e lá mais adiante Quando formos pó, poeira e coisa nenhuma, Debaixo da terra, serei teu amigo e amante, Serei teu mundo, até que ele nos consuma. Amo-te assim, tão-só e simplesmente, Que tão certo é Deus ser fé e piedade Como a minha boca que não te mente Ou estrelas e astros terem gravidade! Perca eu a voz, o chão e tu e de repente, Se este soneto não é, todo ele verdade.

⁠O primeiro amor Antes de tudo e todos, vem o primeiro Encanto, beijo, paixão, ou amor talvez,
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⁠O primeiro amor Antes de tudo e todos, vem o primeiro Encanto, beijo, paixão, ou amor talvez, Uma flor que se dá ou não por inteiro Ou o primeiro amor ou a primeira vez. Pousa a borboleta na flor de um jeito, Que no mel de seu ventre faz encosto, Como o tolo coração, que fora do peito Bate, antes de lhe bater um desgosto. O primeiro beijo é tépido e desajeitado, A prima paixão, tonta e sem medida E a primeira vez é um céu estrelado! Nada é eterno! Tudo é início e partida. E o primeiro amor dura só um bocado Até vir o primeiro desgosto da vida.

⁠Profetas Papaloni Certas tolas manadas de burlados credores Carregam profetas ilusionistas em andores
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⁠Profetas Papaloni Certas tolas manadas de burlados credores Carregam profetas ilusionistas em andores Que amestram uma tal curvada humanidade Num certo pasto d’uma reles fraternidade! Dizem cuidar d’um tal rebanho espremido, Da ovelha que lá foi e não devia ter ido, Como a que não sabe por onde tem andado: Se submissa, a pecar ou a roçar o pecado. Papaloni é ser um tal pastor engenheiro De questionável fé e duvidosa salvação, Que através de um tal medo aduaneiro, Cobra ao mundo uma certa contribuição, Porque uns dão um desatento dinheiro A uma irmandade atenta à desatenção.

⁠Mentir o amor A mentira severa que dura Engana a boca que a profere!
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⁠Mentir o amor A mentira severa que dura Engana a boca que a profere! É lobo sem lei nem bravura! É cordeiro em pele de engodo Que a todos dor confere. Vai cavando a sua sepultura E conspurcando de mágoa, O algodão que tinha no princípio. A língua ensanguentada É limpa depois com tintura, Pra desinfetar culpas e aflição! E nas entrelinhas do seu errar, Vai pedindo ao amor, Perdão! Mentir, Quem não usou já dessa pomada? O problema da mentira É a sua incontinência! Quando já nada a segura! Quando ela vira gente E mente, mente, mente!