Frase de Bernardo Almeida
Crença e aparência Quem crê no amor e nunca chorou Dificilmente amou Quem crê no amor e nunca sofreu Dificilmente amou Quem crê no amor e nunca perdoou Dificilmente amou Mas quem ainda crê no amor? O amor foi reduzido a desejo Passageiro, ligeiro Um sem número de parceiros Companheirismo é piegas Amar alguém é tão brega A sinceridade está de braços cruzados A cumplicidade tirou férias E o compromisso se aposentou Mas quem ainda crê no amor? Livre de interesses materiais Repleto de saudades e lembranças Os corações estão trancados Protegidos contra danos Todo mundo é tão sério e prudente Falta coragem para amar É mais fácil possuir do que se entregar Mas quem ainda crê no amor romântico? O que era sentimento verdadeiro Não passa hoje de um jogo entre parceiros A morte já não separa os casais O amor morre muito antes O vinho é transformado em água Sem sabor, gosto ou cheiro Sem emoções e sem feições Quem veio ao mundo e nunca amou Falar sobre a vida não pode Porque nada sabe Porque nada aprendeu além de futilidades Porque nada sentiu além do trivial Porque nada entendeu além do óbvio Porque, ainda que vivo, nunca viveu
No pensador.ai desde