Frase de Jorgeane Borges Photograph
Carta aberta: o cansaço que ninguém quer ver Não é drama. Não é falta de fé. Não é preguiça. É exaustão. Física, mental, emocional. Uma falência silenciosa do corpo e da alma. Tenho tentado. Fui a médicos, psicólogos, psiquiatras, fiz exames, busquei respostas. E ainda assim, nada muda. Parece que estou me apagando aos poucos, como uma luz que vai perdendo força, mesmo quando alguém gira o interruptor com força. É uma junção de tudo: depressão, ansiedade, burnout, hormônios em desordem, imunidade baixa, cansaço crônico. Um corpo que pede socorro, e uma mente que já não tem mais fôlego pra gritar. Às vezes, levantar da cama é uma guerra. Tomar banho parece escalar uma montanha. Comer, responder mensagens, existir… tudo dói. E o pior é sentir que ninguém entende. Vivemos em um mundo doente, onde todo mundo diz “cuide-se”, mas ninguém tem tempo pra escutar. Os profissionais tentam, mas o sistema é frio, impessoal, repetitivo. E a gente segue colecionando diagnósticos, receitas, e o mesmo vazio. Escrever isso talvez seja o pouco de vida que ainda me resta. Talvez alguém leia e se reconheça — e perceba que não está sozinho. Talvez isso sirva pra lembrar que há uma linha muito tênue entre estar vivo e apenas continuar existindo. Eu não sei o que vem depois. Só sei que estou cansada. E que, se eu ainda falo, é porque algo em mim insiste em não se calar completamente. Mas eu queria, de verdade, só descansar — de tudo isso, de mim, do peso que é sentir demais.
No pensador.ai desde