Frase de Álvaro Marques Batista
A Trindade do Eu No centro onde o nada é proibido, Ergue-se o trono do ser incontido. Ali reina aquele do meio, verbo e sentença, A mão que molda, o olhar que dispensa. Na sombra à direita, o silêncio respira, Frio como aço, sussurro que delira. É a mente que nunca vacila, Que lê o caos, destrincha e destila. Olhos de cálculo, voz sem paixão, Diz: “Aqui há padrão, aqui há razão.” Nenhum suspiro escapa despercebido, O que está à direita vê o invisível escondido. Mas à esquerda... ah, à esquerda há fogo, Labaredas que dançam, desejo sem rogo. É o faminto, o ardente querer, Que ama, que odeia, que vive pra ter. Risos quebrados, pupilas em chamas, Quer tudo, devora, acende mil tramas. Se o que está à direita mede, o da esquerda quer possuir, Transforma em fascínio até o que é porvir. E então, no meio, aquele se ergue, O Juiz, o Criador, aquele que segue. Recebe dos lados o dado, o desejo, E cria o caminho, o mundo, o ensejo. Não ama, não teme, não sofre, não chora, Ele escolhe quem vive, quem some, quem mora. O da direita aponta, o da esquerda quer incendiar, Mas é o do meio quem decide... quem faz colapsar. Três em um. Um em três. O da direita, o da esquerda, e o do meio a comandar, A dança do Eu, o fluxo a pulsar. Aqueles se ajoelham, imploram, suplicam... Mas só o do meio… decide quem fica.
No pensador.ai desde