Frase de Miriam Da Costa
Ode ao Inverno (2) Ó Inverno! Velho sábio das estações, chegas com teu manto cinério de névoa e silêncio, soprando nos areais a brisa dos eremitas e cobrindo os dias com véus de introspecção... Ó Inverno! Teus galhos nus vestem o céu com poemas de quietude e de recolhimento... enquanto a luz solar pálida e tímida insiste e persiste em revelar a beleza do que é contido... Ó, Inverno! No abraço frio de suas madrugadas descansa a alma agasalhada em trégua e vigília e sob o cinério dos céus suspensos floresce a chama oculta da memória que sobrevive... Ó, Inverno! És o tempo do chá fumegante de reflexões incombustas e das cobertas aconchegantes que esquentam lentamente versos arrefecidos... dos livros lidos na penumbra sob à luz dos vendavais dos passos lentos e hidratados de poemas sobre as folhas secas das amendoeiras e de olhares certeiros que buscam dentro, não fora... Ó Inverno! Há em ti uma nobreza silente uma lição de desapego e reinício Mesmo no álgido planto a esperança pois a tua álgidez acalenta e guarda a semente da primavera... ✍©️ @MiriamDaCosta
No pensador.ai desde