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Frase de Luiz Felipe Amil

⁠QUE SEGREDOS TEM O OLHAR DE CLARICE? Clarice, numa cadeira de balanço, acende o seu cigarro, e em paz medita na sua solidão na área de casa, num domingo sem receber telefonemas de ninguém, nemvisitas,muito menos cartas de amor ou preocupação, ela sente a paz que muitos quenão vivem a verdadeira solitude, não entendem o verdadeiro significado desse estado.Ela não quer guerra com ninguém, pois no mundo já basta a guerra interior e mentalque viemos corridos, a guerra do seu país de origem, a Ucrânia. Clarice é a roseiraucraniana sobrevivente, pois seu oxigênio, são as boas palavras intimistas faladas emsua doce prosa nessas terras brasileiras. Com o seu lindo cachorro do seu lado, Claricenos prova que o carinho não vem só dos seres humanos que pensam, que se dizemromânticos, os únicos que tem coração e alma, que são racionais, diferente dos animaisque por mais que não pensam, mas sentem mesmo agindo pelo extinto, são carinhososmesmo perigosos, selvagens ou domésticos são afetuosos com os cafunés querecebem.Clarice, que mistérios tem o seu lindo olhar, quando tira os óculos escuros em diasde sol? Teu olhar, olhos verdes do leste europeu, nos leva a meditar que a velha Chayaque veio para o Brasil ainda pequena, correu descalça nas pedras, peos os espinhosda alma, ralou os pés, mas cicatrizou, e foi essas cicatrizes que a fizeram ser umapersonagem dúbia com os demais parceiros de cena nessa longa metragem chamadavida real, sem intuito de fama, nessa brincadeira de relatar seus sentimentos ilegíveisde interpretar no seu subconsciente, se tornou um marco atemporal na literaturabrasileira e até mesmo ultrapassou fronteiras mundiais com seu sentimentalismointimista sincero. Clarice que tentou aprender o português com sua língua europeia,morou em tantos países que em cada lugar dominou um sotaque que fez da sua línguaum charme, dominava bem o português e outros idiomas essenciais para a diplomacia,engolia os rs que falava, mal de todo estrangeiro, mas escrevia bem discreto e culto obom e velho português camoniano tupi guarani.A água regava suas lindas plantas no hall do seu apartamento, mas a água queClarice bebia era a sua eterna água viva, que dominava o séu coração selvagem,semgrau de vaidade e sem horas para ser uma estrela literária, o reconhecimento, só veioapós a sua morte, infelizmente, é preciso morrermos um dia para nossas palavras ter ovalor devido na leitura, mesmo com um cigarro ferindo em chamas no rosto e pulmão,as cartas não foramn queimadas, e estão aí como literaturá obrigatória se um jovemquiser passar no vestibular. Temos que ler Clarice e tentar compreender seuspensamentos prodígios, quando viva, infelizmente não téve todo o valor, e méritoreconhecido que merecia, era séria, tímida, achavam a que era fraça por retratar tantoe desabafar a sua alma luz intimista em suas prosas, mas era uma dama da boa everdadeira escrita psicológica, entendia muito bem o ser humano e suas patologias.O peso da máquina de escrever, não define o peso que é 'a alma luz e as palavras deClarice, sincera, sem nenhum grau de vaidade, se vai haver rugas, ou se os cabelosloiros vão ficar grisalhos, sagitariana de não emendar muita conversa, mas em escreverpalavras. A companhia de seus dois filhos, seu cachorro eseu inúmeros livros na suaestante, os livros emocionantes em cima da máquina de escrever, seus filhos de capae ISBN,foram nascidos com muito esforço e pensamentos que se aproximassem damente humana confusa, coisas atemporais que muitos se identificam, Clarice nãomedia, nem amaldiçoava as palavras, fazia da sua solitude, um livro de cores e palavras,sentido que a mente fraca não encontra, Clarice achou um meio com seus gestos de se tornar imune a qualquer tipo de abalo, que as lágrimas da sua infância e do seu passado,tenham se tornado chuva fértil de esperança e prosperidade. Se todos fossem no mundoigual a você, existiria menos debate pejorativo, existiria a verdade sutil, mais liberdadeinterior e inspirações em tanta solidão nesse meio fatídico material, onde o ser humanosó ver com sua vista o carnal, sem saber que o espiritual dar continuidade após a morteque é apenas uma viagem. Amar não acaba, se dermos amor sem receber nada emtroca, vamos continuar sentindo o amor em nosso coração, convertendo o para o bemnuma deliciosa morada nessa descoberta cotidiana do mundo, admirável mundo novoclariciano que adverte para não termos medo de amar e nunca desistir do amor,pois oamor é a resposta para solucionar tudo, tenha muito cuidado com o amor que as vezespode ser exigente, viva o amor, porque o amor nasceu para ser vivido intensamente,por amor, fazemos tudo, mas devemos ter cuidado com o amor excessivo que apagatudo. O amor retratado por Clarice é coisa simples, uma sensação de nunca esquecero primeiro amor, o amor próprio da solitude, o amor pode vim com pontadas, mas podeser um amor vacinado, não romântico, um amor de quem já sofreu por amor. Sabemoscomo disse Clarice, resumindo, o amor não tem que ser algo difícil, deve ser entendido,se fores diffcil, calce teus sapatos e parta para outro amor secundário sem perder o seuamor próprio. A clássica definição é que o amor é rela e fatal ao mesmo tempo.Vocêama porque tem medo de estar sozinho? Amaremos de encontro com o amor, dezembrovai, janeiro vem, sigamos nos amando para poder amar alguém com certeza e confiancatotal, pois o amor pode ter mil faces, amar é a única forma de viver bem. Não tenhamedo de amar, mesmo o amor sendo um sistema de trocas, Clarice nos ensina que oamor sempre será um sentimento essencial para a sobrevivência. É preciso estarpreparado para o amor, amor é riqueza, mas é pobreza, é água da fonte, mas tambémé poeira. Amor é suportar o fardo do outro, pois amar é tudo, seja bom ou seja ruim,siga amando nesse combustível. “Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somandoas compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é quese ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil". (Clarice Lispector)

Luiz Felipe Amil

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Pensador.com

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⁠ABC DO PARÁ Acerolas bem gostosas, uma pesca com avium e abacaba Beijú bem alvo da goma saborosa, Círio de Nazaré em Belém e Conceição em Santarém Dindin ou flau de cupuaçú com bombom de castanha, Égua meu irmão, mas olha já. Farinha pura, torrada, com açaí na tigela, Garapa de buriti e cajá, Histórias do caboclo velho sobre o Curupira, Ingá maduro nas margens do rio azul, Jana Figarella e seu canto nas praias bonitas, Kiwi na salada de fruta paraense Leituras de poemas sobre o carimbó do Çairé, Mandioca no lavador se pelando, maniçoba também. Navio estrangeiro no encontro das águas, Onça miando na mata sombria de jambu e mastruz onde o cauã assobia. Pato no tucupi amarelo, com pirarucu frito Queijo branco na ilha do Marajó, Rio de bauxita em Trombetas na ribanceira pequenas casinhas Sapoti e seringa saborosos em Alter do Chão, Taperebá e tapioca, aí que delícia! O tacacá com a goma tapajoara Urucum bem vermelho para tingir o corpo Ver-o-peso com seus banhos de cheiro, com vatapá de camarão Whisky de graviola e limão Xícara quentinha de café com pupunha Yara, sua lenda e seu canto no Amazonas de reencontro, Zarabatana munduruku que assopra bem longe em Juruti.

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⁠SONETO #5 SONETO DO SER AMADO Do perfume das rosas, comigo Sinto no Olimpo dos cuidados Do zelo prazeroso imediato Do amor entre íntimo e amigo. O ato de doar tem o seu destino Debaixo dos lençóis e na rua Quem contigo não falava, vira sua. Admirador secreto vira predestino. Ser acariciado, minha alma suscita Sente a vontade de beijos carnais De longe, a distância não aguenta. Quem sabe, de paixão um pouco mais A atividade amorosa sustenta, O que o sofrer não se conquista.

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⁠SONETO #4 DIAMANTE NEGRO o amor que acabou Maysa Amar é sentir bruta dor também, é partir Saber a hora certa de ficar e corresponder Amar, é sentir medo sem mesmo saber Que o breve amor das pessoas não vai vir. Ter medo do amor como nota falsa ser Infiltrado no coração, dado a persuadir O diamante negro que é levado à sorrir Mesmo quando se ferir, sairá à crescer. E é nessa boa vantagem de saber amar Que nos deliciaremos com o terno bem Que cura, desincha e mata o desatinar Que se desmancha mas açoita também Sem dó o que nem sempre é, no que dá Procurar amor em caras erradas desdém.