Frase de Juliana Umbelino
ela deixou o básico porque já tinha provado o real ela não amava com urgência. amava com gravidade. não pedia reciprocidade mas também não ficava se precisasse explicar o óbvio. nenhuma palavra dela era dramatismo. nenhuma ausência, punição. ela era do tipo que permanecia só onde o tempo não fosse desperdício. não fazia promessas. fazia chá. abria espaço. sabia quando não falar era a forma mais limpa de amar alguém. tinha deixado o básico anos atrás. não por desprezo, mas porque aprendeu a reconhecer o que não a fazia crescer. o amor, quando chegou, não teve explosão. foi como quem abre uma janela e percebe que o ar sempre esteve ali, mas ninguém ousava respirar fundo. não era o amor da falta. era o da medida certa. o que sabe a hora de tocar e a hora de recuar sem ser ausência. nele, ela não virou poema. não virou museu, não virou fuga. virou só o que sempre foi: corpo que sabe sentir. voz que não vacila. alma sem dívidas. ninguém a chamou de intensa. ninguém a disse demais. porque quem chegou tarde não teve nem tempo de nomear. o amor bom, quando a encontrou, soube que não precisava salvá-la. só precisava ficar. Juliana Umbelino
No pensador.ai desde