Frase de Eduardo Pitta
A tua ausência a encher-se de dunas. Aquele bater de vidraças na orla da praia. O silêncio a insistir a recusar-se ao rumor. E a vida a fluir, lá fora.
No pensador.ai desde
A tua ausência a encher-se de dunas. Aquele bater de vidraças na orla da praia. O silêncio a insistir a recusar-se ao rumor. E a vida a fluir, lá fora.
No pensador.ai desde
Gosto da claridade penumbrosa de adolescentes indecisos. Gosto deles assim lentos
Gosto da claridade penumbrosa de adolescentes indecisos. Gosto deles assim lentos inaptos, vorazes, sedentos do labor meticuloso e da antiquíssima sabedoria de outras mãos. Anjos devastados, senhores do caos é para longe que partem.
Nenhum de nós passeia impune pelos retratos: fazem-nos doer os recessos da memória.
Nenhum de nós passeia impune pelos retratos: fazem-nos doer os recessos da memória. Deles saltam, por vezes, sustos, primeiras noites, secreta loucura, lábios que foram. Interditam-nos sempre. Trepam-nos pelo torpor mais desprevenido, subsistem. A sua perenidade é volátil e cheia de venenosos ardis. Um sopro no acetato. Distintos, os seus contornos não são nunca os que supomos.
A noite toda a selva dissolvendo-se em sândalo e esquecimento.
A noite toda a selva dissolvendo-se em sândalo e esquecimento. Casas, degraus a prumo, águas despedaçadas. Equilíbrio precário num fio de luz.
Está um rapaz a arder em cima do muro, as mãos apaziguadas.
Está um rapaz a arder em cima do muro, as mãos apaziguadas. Arde indiferente à neve que o encharca. Outros foram capazes de lhe sabotar o corpo, archote glaciar. Nunca ninguém apagou esse lume.