Frase de Naeno Rocha
JUIZO Dos homens ardilosos e tristonhos Sou eu o que mais perdoa. Me apena os olhos escanteados Dói-me a ferradura batida a martelo. E quando o mártir não sou eu Retiro os óculos e limpo a fronte Para que vejam que não é pelo meu nome Nem pela minha honra que enxergo. Vejo por quem choraminga num canto longe. Aplicado nos mandamentos dos assentos Dos islãs, da Bíblia, das cartas de Maomé. Dou como prêmio aos homens infratores Um aperto nas mãos de ver sangrar A piedade deles, em cálido gesto E imputo a mim o rebaixamento no regresso. Não me valho do posto de anjo sacrossanto, Das vias que pisei, de pura lama, Não, não abro o livro que escrevi na vinda, Nem levo a risca os perigos que corri. Mas um desafio, à minha alma pequena imputa, O de ser bufo, o que faz provocar riso. Quem vê escolhe entre mim e outros, E de todos, até eu, sou escolhido. Sou entre os anjos o que se perpetua na terra, Um desatado, um homem em completude, E a sentença que se anuncia é rude, A ela deixo suportável, mansa em tudo. Não matarei por cordas pêndulas. Não esgarçarei por lâminas involuntárias, Não permanecerei muito tempo em volta Daquele que já foi, e até pode reincidir, Nas maledicências, no desejo solitário, Na liberdade que a mim foi concedida, De fazer na vida, o que não na morte, onde Poderei nem ver e ser cético, calado, morto.
No pensador.ai desde