Frase de Maria Gabriela Cardoso, Lua Pinkhasovna
Ser Aquarela Desde cedo, a vida torna-se preto e branco para quem nasce destoando da tradicional paleta de cores imposta a todos por quem julga-se no direito de definir por quais nuances o rubor de um coração deve pulsar Só, observando a todos pelas frestas empoeiradas, eu já sabia que havia vindo ao mundo com o peito iridescente carregando o enorme fardo numa sociedade limitada que era amar todas as cores Em segredo, uma explosão de tons proibidos luziam em minha mente contrastando com o silêncio gris das outras tantas pessoas coloridas da cidade também fadadas à escuridão taciturna dos armários Por vezes, tentei transmutar-me, regulei minha gradação, simulei ser como me pintavam e acabei tornando-me disforme e sem tonalidade, expressa em inexata furta-cor Chorava entre a dicotomia, como poderia ser preto ou branco se em meu âmago possuía uma vibrante gama de cores traduzida em aquarela? Rendendo-me aos gostos alheios, por anos, tornei-me a cor mais ausente nas paisagens do meu mundo, que aos poucos, tornara-se inexistente Ao redor, arco-íris apagados davam espaço ao céu cinza-nublado, e a cada estalar de beijos, gritos tempestuosos vociferavam, enquanto tantas outras tonalidades eram diariamente silenciadas para a eternidade apenas por estarem amando fora do tom ordenado Em meio a sórdidas guerras, cruéis injustiças sociais e rotineira criminalidade vistas de forma superficial e translúcida todos os esforços estavam focados em nós que estávamos apenas nos misturando a outra cor Mas no fim, o preconceito sempre será incolor, mas amar é soberano, é aquarela! Pois todas as pessoas são cores de diversas matizes, mas só o amor é a arte criadora de obras nas molduras que são a vida, misturar-se é a única ordem imperativa!
Maria Gabriela Cardoso, Lua Pinkhasovna
No pensador.ai desde