Frase de Antonio Montes
SESSENTA Já fiz sessenta Agora sou adulto com formação de velhice e tudo. É... Cheguei aqui, estou vivo sim! E tudo que aprendi... Aprendi com o mundo. Apanhei de palmatória... Meu pai, mina mãe, não passavam a mão sobre a minha cabeça, e hoje eu agradeço-os, pois com isso... Aprendi a ser da hora e não dá cesta. Penei com meu indulto de vida, mas aqui, poderei ampliar a maluquice ... Ser velho, é querer ser jovem criança... Até brinco de esconde-esconde pena que hoje, a minha parceira, é a tão esperada saúde. Aprendi a temer a esperança, voar na paranóia... D'aquilo que hoje tornou-se grude. Recebi um bilhete do presente... Usando óculos de graus, e mãos tremulas... Eu li as cláusulas dos meus apegos... Minhas manias meu tempero curto o silencio p'ro meu pensar... E o chorar pelo viajar dos novos defuntos. O bilhete me chamou de museu e ainda disse que as coisas... As minhas coisas! São misturas, mais que eu. Ora bolas... Mas que bilhete audacioso! Eu já fui criança, jovem feliz, Ao comer, já mordi, pedaço de carne segurando-o com, as minhas mãos... Já brinquei de bola de gude, já tive pião, estilingue, bola peteca já pulei corda muro amarelinho já rascunhei o mundo apenas com um pedaço de giz. É... Já fui feliz, sim, sim! Muito feliz. Antonio Montes
No pensador.ai desde