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Frase de tadeumemoria

PELA ESSÊNCIA Pegou sua espada e seu escudo, protetores para juntas e coletes, seu capacete e seu cavalo negro; o olhar no horizonte onde as savanas davam lugar as montanhas; sabia que tinha que combater, não sabia por que, mas tinha que lutar, não sabia contra quem ou contra o que, mas tinha que combater, tinha que batalhar... seu cavalo negro como a noite, como as perspectivas do porvir galopou na insanidade, trotou nas quimeras, se perdeu nas cavernas da insegurança. Seu pai combatera o bando de Lampião, batalhas duras nas caatingas secas e solos rachados pelo clima árido do sertão nordestino; foi tempo de duras batalhas contra o cangaço, contra a fome, contra a seca; o êxodo para grandes cidades, trazendo saudade e solidão... agora tinha um inimigo silencioso, invisível abstrato, alem dos lobos e serpentes, todos os danos e perigos que uma floresta pode oferecer. Um monstro emergeria do lago com seus tentáculos... nas montanhas certamente teríamos chuva de meteoros, mas isso seria só pequenos transtornos, obstáculos facilmente transponíveis seu maior perigo era o invisível, inaudível, intátil; a angústia da incerteza. Galoparia incansavelmente no seu corcel negro para que seu sonho não morresse com o crepúsculo, para que suas esperanças brilhassem nos primeiros raios da aurora galoparia no seu corcel, galoparia incansavelmente, galoparia pela essência na essência da vida...

tadeumemoria

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...