Frase de GabrieldeArruda
Nhe’ẽ da Terra Nhanderuvuçu, em sua antiga sabedoria, destruiu para que a vida pudesse nascer de novo. Os povos originários sempre souberam: uma árvore não é madeira, é nhe’ẽ em pé, palavra que respira no corpo da terra. Mas os que se dizem donos não ouvem o nhe’ẽ da terra. Criam para destruir, desmatam a mata e, sem perceber, matam também o espírito. Ñande Ru não está longe, está no canto do colibri, na língua que ainda canta e mantém viva a memória da terra. Os teko porã vieram primeiro, não como donos, mas como lembrança viva de que a terra fala muito antes de termos ouvido. Mas os que se chamam proprietários apropriam-se sem escutar. Secam o rio que dá de beber, matam o rio que pede existir na sua sede de seguir. Quem não escuta o nhe’ẽ da mata caminha com corpo, mas o espírito se perdeu no vento. Sabem, no fundo da noite, que destruir a mata é silenciar o idioma do mundo. E quando derrubarem até a última palavra, não morrerá um corpo apenas, mas um modo inteiro de ser na vida. E se essa visão se apagar de vez, o que restar do mundo será somente casca.
No pensador.ai desde