Frase de Maria da Penha Boina
Ódio II ÓDIO II Amo alimentar o meu ódio Quero beber deste ódio eternamente. É ele que nutre a minha existência Sem essa lâmina não consigo enxergar a indiferença. Na indiferença dos outros Encontro a minha sensatez A minha filosofia do amor que pensa Na ciência que investiga No estudo que analisa. Ao me alimentar do ódio Estudo a paixão que desequilibra O orgulho que enlouquece as pessoas O sensualismo que envenena. Necessito do ódio para saber Lidar com a indiferença. Pode vir de terno, vir com olhos, boca, coração e cérebro Nada, nada mesmo dará conta dessa presença Muito menos da ausência. Por isso preciso de beber mais ódio Pois é neste ódio que preciso de um coração De uma frieza, de um raciocínio Mesmo que doente. Preciso aprender, e o ódio é a matéria-prima dessa ânsia que alimento. Este alimento está no objeto do ódio Alimenta o meu rancor, a minha ira O meu pouco humor e A minha pouca sabedoria para entender E aturar. Quero o ódio para mim, dessa forma Nunca serei indiferente.
No pensador.ai desde