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Frase de Maria da Penha Boina

Ódio II ÓDIO II Amo alimentar o meu ódio Quero beber deste ódio eternamente. É ele que nutre a minha existência Sem essa lâmina não consigo enxergar a indiferença. Na indiferença dos outros Encontro a minha sensatez A minha filosofia do amor que pensa Na ciência que investiga No estudo que analisa. Ao me alimentar do ódio Estudo a paixão que desequilibra O orgulho que enlouquece as pessoas O sensualismo que envenena. Necessito do ódio para saber Lidar com a indiferença. Pode vir de terno, vir com olhos, boca, coração e cérebro Nada, nada mesmo dará conta dessa presença Muito menos da ausência. Por isso preciso de beber mais ódio Pois é neste ódio que preciso de um coração De uma frieza, de um raciocínio Mesmo que doente. Preciso aprender, e o ódio é a matéria-prima dessa ânsia que alimento. Este alimento está no objeto do ódio Alimenta o meu rancor, a minha ira O meu pouco humor e A minha pouca sabedoria para entender E aturar. Quero o ódio para mim, dessa forma Nunca serei indiferente.

Maria da Penha Boina

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Pensador.com

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Nirvana Sou meio abestada às artes manuais Engenho melhor as máquinas Introspectiva fico diante delas, fico imbecil e o silêncio enche o meu mundo, meio estúpido Vivo sossegada, descompromissada Diante de mim, uma parede acinzentada um varal com peças de roupas penduradas alguns sons que veem de fora, inidentificáveis Desenredo o meu silêncio em palavras turvas, mudas, inexatas Desprezo os clichês e as suas cópias desordenadas que quebram o fascínio poético daqueles que bem escrevem os seus nadas Assim, passo as minhas horas, encantada entre turbilhões de ideias vou afugentando as ditas realidades dessa sociedade cheia de crendices Desculpai. Mas não nasci para os afazeres banais para costurar as roupas rotas e almoçar ao meio dia e meia a minha didática de vida é outra Sei, desiludo, não sou de bom trato boa companhia Vou, conforme vai o vento lamento por causar desapontamento sou obtusa diante do compreensível.